terça-feira, 20 de novembro de 2012

AH! O MAR...


Quantas recordações, quantas lembranças que ainda permanecem vivas em minha memória.
Fecho os olhos e deparo-me pisando a fina areia branca,
num caminhar sem tempo, sem pressa, sem direção.
Apenas deixo-me levar, sem saber aonde vai dar.
Ao lado, o mar.
Ah! O mar...
Mergulho lentamente em suas águas verdejantes, por ora azuis.
Ao longe, o cair da tarde revela no horizonte um painel deslumbrante, contornados por barcos, velas, veleiros no encontro do céu com o mar.
Ah! O mar...
O ir e vir de suas ondas num movimento calmo e constante, contrasta em momentos com a ferocidade revolta que quebra nas pedras, encostas num rugido ensurdecedor.
Quem te conhece, te admira.
Delira ao vê-lo, corpos quase nus, em pelo, deleitam-se ao sabor do vento, do sol, do sal.
Nada tão mais natural.
Quem não o conhece, perplexo fica. Tem medo, bate no peito um temor, um receio.
Aos poucos adentra, se molha e louco explode como quem quer, como quem gosta, como quem pode e deseja somente ser feliz.
Crescemos ouvindo a seu respeito histórias de mitos, monstros, lendas, perigos, piratas.
Acompanhamos mudanças através do seu leito, vasto leito durante séculos e ainda hoje, nebuloso, misterioso.
Serviste de rotas para fugas, experiências científicas, descobertas tecnológicas.
Campo de guerra tornaste e  viste repousar em teu seio cargas, cascos, corpos.
Foste passagem para o desenvolvimento, nos apresentastes civilizações desconhecidas, mudaste formas de comercializações.
Mas o homem, na sua ânsia e ganância pelo progresso desenfreado, por querer sempre mais e mais pode ao mesmo tempo e em pouco tempo perder o que mais tem a receber de ti: a vida.
Por vezes, teimamos em bater de frente contigo, confrontando-o. Fingimos desconhecer a sua descomunal força, diria avassaladora.
Que reage de maneira brutal, sem conhecer barreiras,
sem respeitar limites, que não se dobra a antifrágil condição humana, que pensa ter respostas para todas as perguntas e soluções para todos os problemas.
Céticos, olhamos sob o prisma romântico de que ainda és
porto seguro, ancoradouro, um cais pra poder descansar, depois do amor, depois de amar.
Ah! O mar...
Você
é inspiração para todas as formas de arte, de poetas à pintores, passando por cantores e anônimos trazes em teu domínio, o fascínio que nos aprisiona diante de tua beleza única, ímpar.
Na areia molhada de teu mar, restam as pegadas de um caminhar sem tempo, sem pressa, sem direção.
Apenas deixa-se levar, sem saber aonde vai dar.
Ao lado, o mar.
Ah! o mar...
quantas recordações, quantas lembranças... 
                
                                                             

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