Quantas
recordações, quantas lembranças que ainda permanecem
vivas em minha memória.
Fecho os olhos e
deparo-me pisando a fina areia branca,
num caminhar sem
tempo, sem pressa, sem direção.
Apenas deixo-me
levar, sem saber aonde vai dar.
Ao lado, o mar.
Ah! O mar...
Mergulho
lentamente em suas águas verdejantes, por ora azuis.
Ao longe, o cair
da tarde revela no horizonte um painel deslumbrante, contornados por barcos,
velas, veleiros no encontro do céu com o mar.
Ah! O mar...
O ir e vir de
suas ondas num movimento calmo e constante, contrasta em momentos com a
ferocidade revolta que quebra nas pedras, encostas num rugido ensurdecedor.
Quem te conhece,
te admira.
Delira ao vê-lo,
corpos quase nus, em pelo, deleitam-se ao sabor do vento, do sol, do sal.
Nada tão mais
natural.
Quem não o
conhece, perplexo fica. Tem medo, bate no peito um temor, um receio.
Aos poucos
adentra, se molha e louco explode como quem quer, como quem gosta, como quem
pode e deseja somente
ser feliz.
Crescemos ouvindo
a seu respeito histórias de mitos, monstros, lendas, perigos, piratas.
Acompanhamos
mudanças através do seu leito, vasto leito durante séculos e ainda hoje,
nebuloso, misterioso.
Serviste de rotas
para fugas, experiências científicas, descobertas tecnológicas.
Campo de guerra
tornaste e viste repousar em teu seio
cargas, cascos, corpos.
Foste passagem
para o desenvolvimento, nos apresentastes civilizações desconhecidas, mudaste
formas de comercializações.
Mas o homem, na
sua ânsia e ganância pelo progresso desenfreado, por querer sempre mais e mais pode
ao mesmo tempo e em pouco tempo perder o que mais tem a receber de ti: a vida.
Por vezes,
teimamos em bater de frente contigo, confrontando-o. Fingimos desconhecer a
sua descomunal força, diria avassaladora.
Que reage de
maneira brutal, sem conhecer barreiras,
sem respeitar
limites, que não se dobra a antifrágil condição humana, que pensa ter respostas
para todas as perguntas e soluções para todos os problemas.
Céticos, olhamos
sob o prisma romântico de que ainda és
porto seguro,
ancoradouro, um cais pra poder descansar, depois do amor, depois de amar.
Ah! O mar...
Você
é inspiração para
todas as formas de arte, de poetas à pintores, passando por cantores e anônimos
trazes em teu domínio, o fascínio que nos aprisiona diante de tua beleza única,
ímpar.
Na areia molhada
de teu mar, restam as pegadas de um caminhar sem tempo, sem pressa, sem
direção.
Apenas deixa-se
levar, sem saber aonde vai dar.
Ao lado, o mar.
Ah! o mar...
quantas recordações, quantas lembranças...
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