A gente vai pra nossa terra voltar
Nem é preciso vir me perguntar.
É muita dor, sofrimento, solidão
Cidade grande pra pobre é ilusão.
Pouco
trabalho, muito sonho, decepção
Submetendo-se à todo tipo de humilhação.
Todos lutando pra sobreviver,
Sobrevivendo para
não morrer.
Muito descaso, pouco caso vida então
Entregue à própria sorte de uma situação.
Voltar pra casa, olhar nos olhos, perceber
Que não se tem resposta nem pra oferecer.
Cadê a força? Pra fingir
ou pra fugir.
Diante disso repensar, admitir:
Chegou ao fim todos os planos, devaneios.
Teu coração sem rumo, partido ao meio.
"Quando da vinda um desejo renasceu,
Tempos melhores para uma vida sofrida.
Mãos calejadas acenando um adeus,
Rastros deixados numa triste
despedida”
Sem ter saída,
sua vida não permite
Brincar de vida,
quando a morte ainda insiste.
Andar por perto,
olhar aberto, decidida
Tomar as rédeas,
ser a dona da sua vida.
Mas não se
entregue, não desista, acredite
Aos quatros
ventos, quatros cantos, cante e grite:
Com uma aquarela e
pincel em sua mão
Refaça o quadro da
sua vida no sertão.
Restarão marcas,
cicatrizes, ferimentos
Que certamente o
tempo terá que fechar.
Mesmo que leve
algum tempo, nesse tempo
Certas feridas
poderão incomodar.
Mas o passado, como
o nome já passou
E na lembrança do
passado vai ficar.
Novo horizonte no
universo clareou
E sua estrela
novamente vai brilhar.
"Léguas e mágoas
se confundem em teu ser
Viva o presente, o futuro
chegará.
Sina, destino deixo tudo acontecer
Cada momento, no seu tempo Deus
fará”
Sina de todos que moram no sertão, este território tão decantado em música, verso, prosa e vivido com toda intensidade, tem em seus personagens mais que, fábulas, vidas reais que contam suas histórias por meio da luta, da dor, da tristeza, da fé, na procura árdua pela sobrevivência, a realização de sonhos. Muitas vezes ou na maioria deles, desfigurados pelo cansaço, pelas marcas, pelas cicatrizes que cortam e marcam não só o corpo, mas sobretudo as almas.
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