Quando crianças, vivemos a inocência da
infância.
Os sonhos ainda que distantes ante
nossos olhos,
parecem reais e fáceis de se realizarem.
Não há preocupação com o tempo.
Não pensamos no futuro.
Somos o próprio tempo presente.
Criamos nossa história à partir de uma
realidade ilusória,
vivendo ao sabor de uma doce liberdade,
que faz-nos ter asas e voar sem sair do
chão.
O tempo passa.
Crescemos e deixamos no passado toda uma
lembrança de um cristal que se quebrou à medida que vemos as fantasias
perdidas.
Tentamos muitas vezes colar pedaços que
se espalharam por todos os cantos.
Revemos monstros criados à partir de
medos e temores, como simples fantasmas que afugentamos de nossas mentes.
Como nos contos,
perguntamos ao mesmo espelho que nos viu
crescer,
o que aconteceu?
Por quê nos distanciamos de uma era que
movia desejos e anseios?
Por quê? Por quê?
Simples perguntas, difíceis respostas.
Por incrível que pareça,
o tempo, nosso aliado,
virou nosso maior perseguidor.
Corremos de um lado para o outro e nos
vemos
parado no mesmo lugar.
Percorremos um caminho num tempo onde o
tempo,
torna-se senhor do nosso destino,
ao deixarmos as rédeas de nossa existência
em suas mãos.
Tudo se transforma numa velocidade que
impressiona,
levados à um universo que nos cobra permanentemente.
Escravos nos tornamos, transformados em prisioneiros
de um prisão por nós mesmos construída,
reféns de nossos pensamentos,
sentimentos e ações.
Ao nos depararmos com o espelho partido,
vemos que as imagens distorcidas
e criadas por nossa imaginação
fizeram-se reais dentro dos nossos
sonhos.
Num mesmo caminho, homem e menino se
fazem um só.
O tempo não impediu de se encontrarem,
num espaço que somente
a ilusão tem conhecimento.
Despedem-se um do outro na certeza de
que precisam prosseguir na jornada, sem matar os devaneios que o fizeram chegar
até aqui.
Sabem que a separação é inevitável.
Cortar os laços que os prendem se faz
necessário para que
se construa uma outra história.
No mesmo tempo, duas vidas.
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