Olhei teus olhos e vi neles uma frieza
doída,
como marcas que marcam uma vida
como a carregar um peso insuportável
sobre os ombros.
Não percebi o mesmo brilho por quem me
encantei.
Pareciam perdidos, vazios,
entregues a própria sorte.
Olhavam como quem olha pro nada,
peregrinos solitários a caminharem por
uma estrada deserta.
Buscavam no horizonte respostas para um adeus,
tolas esperanças que não trariam seu amor de forma nenhuma.
Fixavam-se no infinito, através da
vidraça molhada de chuva.
A chuva aumentando
Lá fora
Aumentava dentro do
meu peito,
Toda uma ansiedade
Que corroía minh’alma
E rasgava meu coração
Fazendo-o sangrar de
saudade.
Indeciso, caminhei pelas ruas,
entre corpos e almas nuas
sob o sol, eternas luas
ao relento me entreguei.
Vi meus sonhos, prisioneiros de mim
mesmo,
meus anseios, vagando à esmo
náufragos em pleno oceano.
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