Já se sentiu assim? Assim como, pergunto-me? Assim, como se estivesse perdido no meio de uma multidão! Cada rosto, cada olhar nada lhe diz.
Você olha e não se vê.
Procura por algo que lhe faça
companhia,
por alguém que seja sua companhia
nesse vazio sepulcral.
Vive em instantes, um silêncio secular,
apesar do barulho ensurdecedor
ao redor.
Cada vez mais se sente só.
Seus passos não possuem direção,
caminham por caminhar sem
sentido algum.
Sente-se mais um.
A solidão que percorre seu corpo,
toma de assalto sua alma
invadindo-a, dilacerando-a.
Vê-se exposto, sentimentos
postos de lado sem importância,
perde-se na distancia de si
mesmo.
Não deixa rastros, marcas que
indicam o caminho de volta,
sombras e sobras o envolvem de
tal forma
que tomam a sua própria forma de
ser.
O que fazer?
Questiono-me novamente.
Minha voz tenta libertar-se das amarras
que a mantém prisioneira,
ouço apenas sussurros,
gemidos entre lágrimas sufocadas.
Desespero-me.
Aflito, grito por socorro.
Em vão corro sem sair do lugar.
De repente,
num piscar de olhos não me vejo mais
solitário,
alguém caminha e sorri ao meu lado.
A escuridão que se fazia reinar em minhas
entranhas
deu lugar a uma intensa luz,
que me cobre com toda a sua essência.
A dor do abandono
deu lugar a um corpo com alma nova.
Sinto-me revigorado,
uma paz sublime renova minhas forças.
Um sol que não conhecia se faz brilhar e
aquece-me.
Meus passos sabem qual caminho seguir,
meus olhos veem as pessoas de maneira
fraterna,
minha voz se lança ao espaço em alto e
bom som.
Sorrio.
Não entendo o que aconteceu. Não preciso
entender o que está acontecendo.
Cristo me compreende em sua sabedoria e
sabe das minhas fraquezas,
conhece-me a fundo e traz-me o que
preciso para ser feliz.
Através do seu poder infinito,
transforma o que toca e revela o seu verdadeiro
amor e misericórdia
por aqueles à quem destinou a salvação.
A pedra por ele retirada abriu as portas
do sepulcro
e libertou-nos para a vida.
Para a sua vida.
Para que a tivéssemos eternamente.