terça-feira, 30 de julho de 2013

VAZIO SEPULCRAL


                                                                        

Já se sentiu assim? Assim como, pergunto-me? Assim, como se estivesse perdido no meio de uma multidão!  Cada rosto, cada olhar nada lhe diz.


Você olha e não se vê.

Procura por algo que lhe faça companhia,

por  alguém que seja sua companhia

nesse vazio sepulcral.

Vive em instantes, um silêncio secular,

apesar do barulho ensurdecedor ao redor.

Cada vez mais se sente só.

Seus passos não possuem direção,

caminham por caminhar sem sentido algum.

Sente-se mais um.

A solidão que percorre seu corpo,  toma de assalto sua alma

invadindo-a, dilacerando-a.

Vê-se exposto, sentimentos postos de lado sem importância,

perde-se na distancia de si mesmo.

Não deixa rastros, marcas que indicam o caminho de volta,

sombras e sobras o envolvem de tal forma

que tomam a sua própria forma de ser.

O que fazer?

Questiono-me novamente.

Minha voz tenta libertar-se das amarras que a mantém prisioneira,

ouço apenas sussurros,

gemidos entre lágrimas sufocadas.

Desespero-me.

Aflito, grito por socorro.

Em vão corro sem sair do lugar.

De repente,

num piscar de olhos não me vejo mais solitário,

alguém caminha e sorri ao meu lado.

A escuridão que se fazia reinar em minhas entranhas

deu lugar a uma intensa luz,

que me cobre com toda a sua essência.

A dor do abandono

deu lugar a um corpo com alma nova.

Sinto-me revigorado,

uma paz sublime renova minhas forças.

Um sol que não conhecia se faz brilhar e aquece-me.

Meus passos sabem qual caminho seguir,

meus olhos veem as pessoas de maneira fraterna,

minha voz se lança ao espaço em alto e bom som.

Sorrio.

Não entendo o que aconteceu. Não preciso entender o que está acontecendo.

Cristo me compreende em sua sabedoria e sabe das minhas fraquezas,

conhece-me a fundo e traz-me o que preciso para ser feliz.

Através do seu poder infinito,

transforma o que toca e revela o seu verdadeiro amor e misericórdia

por aqueles à quem destinou a salvação.

A pedra por ele retirada abriu as portas do sepulcro

e libertou-nos para a vida.

Para a sua vida.

Para que a tivéssemos eternamente.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

UM TEMPO, UMA HISTÓRIA, DUAS VIDAS



Quando crianças, vivemos a inocência da infância.
Os sonhos ainda que distantes ante nossos olhos,
parecem reais e fáceis de se realizarem.
Não há preocupação com o tempo.
Não pensamos no futuro.
Somos o próprio tempo presente.
Criamos nossa história à partir de uma realidade ilusória,
vivendo ao sabor de uma doce liberdade,
que faz-nos ter asas e voar sem sair do chão.
O tempo passa.
Crescemos e deixamos no passado toda uma lembrança de um cristal que se quebrou à medida que vemos as fantasias perdidas.
Tentamos muitas vezes colar pedaços que se espalharam por todos os cantos.
Revemos monstros criados à partir de medos e temores, como simples fantasmas que afugentamos de nossas mentes.
Como nos contos,
perguntamos ao mesmo espelho que nos viu crescer,
o que aconteceu?
Por quê nos distanciamos de uma era que movia desejos e anseios?
Por quê? Por quê?
Simples perguntas, difíceis respostas.
Por incrível que pareça,
o tempo, nosso aliado,
virou nosso maior perseguidor.
Corremos de um lado para o outro e nos vemos
parado no mesmo lugar.
Percorremos um caminho num tempo onde o tempo,
torna-se senhor do nosso destino,
ao deixarmos as rédeas de nossa existência em suas mãos.
Tudo se transforma numa velocidade que impressiona,
levados à um universo que nos cobra permanentemente.
Escravos nos tornamos, transformados em prisioneiros de um prisão por nós mesmos construída,
reféns de nossos pensamentos, sentimentos e ações.
Ao nos depararmos com o espelho partido,
vemos que as imagens distorcidas
e criadas por nossa imaginação
fizeram-se reais dentro dos nossos sonhos.
Num mesmo caminho, homem e menino se fazem um só.
O tempo não impediu de se encontrarem, num espaço que somente
a ilusão tem conhecimento.
Despedem-se um do outro na certeza de que precisam prosseguir na jornada, sem matar os devaneios que o fizeram chegar até aqui.
Sabem que a separação é inevitável.
Cortar os laços que os prendem se faz necessário para que
se construa uma outra história.
No mesmo tempo, duas vidas.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

CRISTO SE FAZ UM ENTRE NÓS



Se faz nosso caminhar,
o peregrinar pela estrada da vida.
Se faz nossa força,
o refúgio nos momentos de dor e tristeza.
Se faz nossa paz,
a calma que a alma precisa para aquietar-se.
Se faz nossa esperança,
o crer em algo que não vemos.
Se faz nossa perseverança,
o não desistir diante das dificuldades.
Se faz nosso perdão,
o reconhecer de que somos seres imperfeitos.
Se faz nossa verdade,
a luz que ilumina sendas escuras.
Se faz nossa realidade,
a fé viva que nos movimenta.
Se faz nosso fogo,
a chama que aquece quando nos sentimos sós.
Se faz nossa vida,
o amor que nos lembra quem somos.
Se faz nosso coração,
a porta sempre aberta para nos receber.
Se faz um entre nós,
a voz que clama que justiça.
Se faz humildade,
a razão de sermos simples em nossas ações.
Se faz solidariedade,
a mão estendida a quem precisa de ajuda.
Se faz amigo,
o verdadeiro sentido da palavra se dar.