sexta-feira, 2 de março de 2018


“Um Ser Somente”

Caminho despretensiosamente por mim mesmo.
Nômades desejos povoam meus sentimentos.
Não vejo-me refletido em meu próprio olhar.
Sinto-me fora estando dentro do meu corpo.
Estranho corpo que parece não mais me pertencer.
Minha voz cala-se ante ao meu silêncio interior.
Meus pensamentos sussurram em voz alta.
Minhas mãos, trêmulas mãos, não se reconhecem no toque.
Minhas emoções correm por vasos e veias aleatórios.
Um rio de lágrimas deságua em minh’alma.
Meu coração pulsa ardentemente à flor da pele.
Minha respiração suspira aflita e afoita.
Sonhos e sonos confundem-se entre si e dissipam-se no ar.
Arrefecem ilusões internas, recrudescem paixões externas.
Vejo-me etéreo. Sinto-me aéreo. 
Estradas longínquas me levam pra longe do meu existir.
Sou peregrino, homem e menino no mesmo caminhar.
Encontro-me e me perco no meu próprio vagar solitário.
Sou deserto e oceano que se fundem entre si
E formam-se à partir de densas nascentes ilusórias.
Assim, morre o homem, nasce o poeta.

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