“Um
Ser Somente”
Caminho
despretensiosamente por mim mesmo.
Nômades
desejos povoam meus sentimentos.
Não
vejo-me refletido em meu próprio olhar.
Sinto-me
fora estando dentro do meu corpo.
Estranho
corpo que parece não mais me pertencer.
Minha
voz cala-se ante ao meu silêncio interior.
Meus
pensamentos sussurram em voz alta.
Minhas
mãos, trêmulas mãos, não se reconhecem no toque.
Minhas
emoções correm por vasos e veias aleatórios.
Um
rio de lágrimas deságua em minh’alma.
Meu
coração pulsa ardentemente à flor da pele.
Minha
respiração suspira aflita e afoita.
Sonhos
e sonos confundem-se entre si e dissipam-se no ar.
Arrefecem
ilusões internas, recrudescem paixões externas.
Vejo-me
etéreo. Sinto-me aéreo.
Estradas
longínquas me levam pra longe do meu existir.
Sou
peregrino, homem e menino no mesmo caminhar.
Encontro-me
e me perco no meu próprio vagar solitário.
Sou
deserto e oceano que se fundem entre si
E
formam-se à partir de densas nascentes ilusórias.
Assim,
morre o homem, nasce o poeta.
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