“Companhia”
O silêncio da madrugada é minha companhia.
Faz-se à cada noite um ser mais
presente.
Ouve meus lamentos numa triste agonia.
Torna-se sem saber meu maior confidente.
Não ouço sons que perturbam meu
escrever.
Sobre o papel vazio deslizo minhas mãos.
Anseio expressar algo que não sei dizer.
Quem, sabe, talvez, revelar uma eterna
solidão.
Olho as ruas desertas e nelas me
reconheço.
Através da vidraça vejo meu próprio
olhar.
Sentimentos estranhos que em mim
desconheço.
Enclausuram meu ser e insistem em ficar.
Sou prisioneiro de algo maior do que eu.
Que rasga e invade sem dó nem piedade.
O dia amanhece, a noite adormeceu.
Somente eu, acordado, vivendo essa triste
realidade.
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