quinta-feira, 3 de outubro de 2013

EU MESMO





Em algum momento de minha vida senti-me,
e não posso precisar onde, como e quando aconteceu tal fato,
uma pessoa importante, indispensável, imprescindível,
ao meu trabalho, à minha família, aos meus amigos.
Alguém com um valor inestimável.
Achava, como se diz por aí,
e como podem pensar alguns com tamanha opulência de minha parte,
o dono da cocada preta, o centro das atenções, o foco das coisas, referência.
Gostava de ser reconhecido, de ser admirado mesmo sem saber o que fizera,
somente o meu nome dito por algum lábio 
já me fazia ser lembrado, jamais esquecido.
Quanta pretensão de minha parte.
Olhar e se ver como algo ou alguém que abrilhantava as vidas das pessoas ao redor, que alegrava com teu jeito simples de ser, que ajudava e compartilhava sentimentos, que dividia tristezas e encontrava forças em meio ao caos reinante, que demonstrava serenidade e equilíbrio nas horas que mais se faziam necessários.
Estar sempre pronto a ajudar, ser muitas vezes incompreendido em suas ações, estender as mãos e perceber finalmente na carne que não passas somente de mais um na multidão.
O orgulho e a vaidade eram apenas ilusões de ser humano.
Arrogância e prepotência disfarçadas por atitudes que aos olhos alheios
pareciam humanizadas.
Então, num estrondo qual trovão em meu interior,
notei que era,
nada mais do que parte de um todo,
uma peça à mais neste quebra-cabeça existencial,
nessa engrenagem que nos movimenta incessantemente.
Muitas vezes olhei-me no espelho e não reconheci-me na figura do outro lado
que refletia medo, insegurança, um profundo vazio fantasmagórico.
Que me assombrava nas noites frias do meu viver.
Agarrava-me desesperado como náufrago a qualquer tábua de salvação que passasse por mim nos instantes de dor e amargura,
afastei-me de Deus sem saber para onde ia,
fugia de mim mesmo, fugia da vida, fugia dos meus sonhos e pesadelos.
Descobri então que não possuo a força que penso ter.
Sou frágil como qualquer cristal ou cristão,
possuo virtudes e defeitos como todo mundo,
erro e acerto na mesma proporção.
Não conheço a verdade, apesar de só existir uma:
Cristo.
E todos os dias estou a procurá-la para sentí-la dentro de mim.
Verdadeiramente.
Desconheço a Sagrada Escritura em sua totalidade,
embora tente entendê-la e seguí-la como forma de retidão.
Busco na medida que vivo encontrar respostas para os meus questionamentos,
certezas para as minhas dúvidas.
Procuro no silêncio da minha particular solidão,
uma luz que ilumine meu caminho por esta estrada.
Sigo sem saber aonde chegar, apenas caminho
na esperança de que nesta caminhada
possa encontrar o que tanto procuro.
Eu mesmo.









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