Em algum momento de minha vida senti-me,
e não posso precisar onde, como e quando
aconteceu tal fato,
uma pessoa importante, indispensável,
imprescindível,
ao meu trabalho, à minha família, aos
meus amigos.
Alguém com um valor inestimável.
Achava, como se diz por aí,
e como podem pensar alguns com tamanha
opulência de minha parte,
o dono da cocada preta, o centro das
atenções, o foco das coisas, referência.
Gostava de ser reconhecido, de ser
admirado mesmo sem saber o que fizera,
somente o meu nome dito por algum
lábio
já me fazia ser lembrado, jamais
esquecido.
Quanta pretensão de minha parte.
Olhar e se ver como algo ou alguém que
abrilhantava as vidas das pessoas ao redor, que alegrava com teu jeito simples
de ser, que ajudava e compartilhava sentimentos, que dividia tristezas e
encontrava forças em meio ao caos reinante, que demonstrava serenidade e
equilíbrio nas horas que mais se faziam necessários.
Estar sempre pronto a ajudar, ser muitas
vezes incompreendido em suas ações, estender as mãos e perceber finalmente na carne que
não passas somente de mais um na multidão.
O orgulho e a vaidade eram apenas
ilusões de ser humano.
Arrogância e prepotência disfarçadas por
atitudes que aos olhos alheios
pareciam humanizadas.
Então, num estrondo qual trovão em meu
interior,
notei que era,
nada mais do que parte de um todo,
uma peça à mais neste quebra-cabeça
existencial,
nessa engrenagem que nos movimenta
incessantemente.
Muitas vezes olhei-me no espelho e não
reconheci-me na figura do outro lado
que refletia medo, insegurança, um
profundo vazio fantasmagórico.
Que me assombrava nas noites frias do
meu viver.
Agarrava-me desesperado como náufrago a
qualquer tábua de salvação que passasse por mim nos instantes de dor e
amargura,
afastei-me de Deus sem saber para onde ia,
fugia de mim mesmo, fugia da vida, fugia
dos meus sonhos e pesadelos.
Descobri então que não possuo a força
que penso ter.
Sou frágil como qualquer cristal ou
cristão,
possuo virtudes e defeitos como todo
mundo,
erro e acerto na mesma proporção.
Não conheço a verdade, apesar de só existir
uma:
Cristo.
E todos os dias estou a procurá-la para
sentí-la dentro de mim.
Verdadeiramente.
Desconheço a Sagrada Escritura em sua
totalidade,
embora tente entendê-la e seguí-la como
forma de retidão.
Busco na medida que vivo encontrar
respostas para os meus questionamentos,
certezas para as minhas dúvidas.
Procuro no silêncio da minha particular
solidão,
uma luz que ilumine meu caminho por esta
estrada.
Sigo sem saber aonde chegar, apenas
caminho
na esperança de que nesta caminhada
possa encontrar o que tanto procuro.
Eu
mesmo.
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