sexta-feira, 16 de agosto de 2013

REENCONTRO



Apareceste como sol em minha vida,iluminando minha alma e enchendo meu coração de esperança.
Aqueceu-me nas noites frias de inverno e solidão.
Fez-me um novo ser.
Manhã clara, cheiro de orvalho, grama molhada do doce sereno noturno.
Surgiste como raio, brilho intenso que varreu meus medos e minhas incertezas,
 fez-se certeza por entre as dúvidas que povoavam meus pensamentos.
Se fez meu caminho, direção a ser seguida sem olhar para trás.
Apenas o futuro me interessava em ti.
Olhei teus olhos e neles vi a alegria de viver algo inimaginável.
Algo que parecia distante, inatingível.
Lutei com todas as forças que existiam dentro de mim, dentro do meu coração para tê-la,
prometi as estrelas e o céu.
E fui feliz.
Fomos felizes, pelo menos acreditei nisso.
Um tempo eterno nos momentos em que estivemos juntos.
Pensei ser eles perenes, como imagino ser o meu amor por você.
O mar cobria nosso sentimento como um cobertor quente, o vento refrescava-o, asas abertas para alçar voos e nos levar em seu voar livre.
A lua se encantava com sua beleza infinita, real.
Vivia um conto de fadas ao teu lado, fera domada pelo encanto sublime que aprisionou minha alma.
Entreguei-me em seus braços sem saber os riscos da paixão, fui passageiro da minha ilusão e paguei o preço alto da viagem.
Num piscar de olhos tudo mudou entre nós, transformando-se  em uma fria e angustiante noite sem fim.
Olhei teus olhos e vi neles uma frieza doída, como marcas que marcam uma vida
como a carregar um peso insuportável sobre os ombros.
Não mais percebi o mesmo brilho por quem me encantei.
Pareciam perdidos, vazios, entregues a própria sorte.
Olhavam como quem olha pro nada, peregrinos solitários a caminharem por uma estrada deserta.
Tentava entender o que se passava com eles, com você.
Buscava no horizonte respostas para um adeus, tolas esperanças que não trariam seu amor de forma nenhuma.
A chuva aumentando lá fora aumentava dentro do meu peito, toda uma ansiedade que corroía minh’alma e rasgava meu coração fazendo-o sangrar de saudade.
Indeciso, caminhei pelas ruas, entre corpos e almas nuas,
sob o sol eternas luas, ao relento me entreguei.
Vi meus sonhos, prisioneiros de mim mesmo, 
meus anseios, vagando à esmo
náufragos em pleno oceano...
Perdi você.
Perdi para mim mesmo, deixei-me vencer ou vencido sou de tal forma, que repousa meu corpo, inerte jaz entre flores no jardim.
Flores sem vida, mortas iguais a ele.
Caminho hoje na esperança de encontrar o que procuro, o que perdi em algum lugar da minha história.
Nesse momento, o tempo passa tão rápido, voa e me leva pra longe, distante do que me aproxima da vida.
Sinto-me perdido.
Como náufrago em pleno mar, nadando para se salvar.
Agarro-me a qualquer tábua que se pareça com salvação.
Vago sem rumo, à esmo, pela estrada deserta de tudo, inclusive de mim mesmo.
Não sou parte desta paisagem.
Deixo passos, marcas pelo chão como que indicando-me um caminho sem volta.
Vivo sem você o que nunca vivi em toda a minha vida.
Uma solidão só minha, de mais ninguém.
Uma solidão que se faz presente dentro do meu coração.
Que absorve toda e qualquer chama que teima em manter-se acesa e alimenta meu ser.
Devo lutar com todas as minhas forças contra este inverno que ameaça se apoderar de mim e afastar-me dos meus sonhos, dos meus anseios.
Que tenta isolar-me em uma masmorra no castelo da minha fraqueza, margeando meus sentimentos.
Como ondas revoltas, chocam-se contra os rochedos do meu coração, numa luta sem trégua.
Nos outonos da minha vida tento reconstruí minha fortaleza, reforcei minhas defesas.
Outras folhas virão e farão o seu papel melhor que fiz.
Outras folhas no lugar surgirão e mostrarão que tudo
em nossa vida passa, se renova, floresce mais cedo ou mais tarde, quando bem cuidada.
Esse vazio que me toma por inteiro, faz-me prisioneiro, numa prisão sem grades.
Livre sou para seguir para qual lado desejar, mas vejo-me atado a um nó que não consigo desatar.
Caminhos e destinos contrapondo-se.
Sinto-me mais uma vez perdido.
Percebo que meu caminhar torna-se lento, pesado, arrastado.
A poeira encharca meu rosto, e deixa minha boca seca e áspera, sedenta por vida. 
Procuro-me novamente em meio à um nevoeiro que sobrevoa minha mente, espessa neblina que embaça minha visão.
Cega-me por instantes e a escuridão se apodera sem pena, sem dó.
Estou só. Sinto-me só.
Olho o horizonte. Parece tão distante.
Acho que não vou conseguir atingí-lo depois de sua partida.
Estendo as mãos, na tola esperança de alcançá-lo, apesar do  espaço vazio existente entre nós.
Desanimo-me, quase sem forças.
Viro-me e penso voltar ao ponto de partida e recomeçar.
Recomeçar do zero.
Recomeçar do nada.
Talvez seja esse o encontro esperado.
Talvez esse seja o meu encontro.
A retomada de caminhos que pareciam perdidos.
A retomada de uma vida que parecia sem vida. 
Vejo que caminhei incansavelmente sem parar, mas também sem pensar em nada.
Sem medir consequências dos meus atos.
Caminhava por caminhar.
Sem projeto, sem objetivo, sem sentido.
Fugia de mim.
Fugia da vida.
Fugia do mundo.
Fugia de todos e de tudo.
Fugia dos meus sonhos.
Não precisa todo este sacrifício.
Não precisava todo este sofrer.
Bastava apenas recomeçar, refletir, recuar um passo atrás para dar dois à frente.
Simples.
Olho para trás e vejo que tudo poderia ter sido menos doloroso, mais tranquilo.
As dores marcaram não só meu corpo, mas principalmente minha alma.
Sangro, sem o sangue escorrer.
Deixo exposto feridas vivas que não cicatrizam, que não se fecham.
Permanecem abertas o tempo todo.
Dizem que o melhor remédio é o tempo.
Que os sentimentos tendem a adormecerem, se aquietarem à medida que ele passa.
Que as lembranças perdem-se enquanto a vida segue teu curso.
E que o vazio reinante, que se fez companheiro durante a travessia, preenchido será novamente com outra vida que se renovará em teu interior.

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