Tenho tanta coisa a dizer,
ao mesmo tempo nada para falar.
Estranho sentir-me assim.
Vazio,
repleto de frases feitas, sem sentido
algum
espelho do espelho que não sou.
Intenso
como um turbilhão de emoções,
vulcão prestes a explodir em chamas de
paixão.
Corajoso
como um rio caudaloso, que corta pedras
serpenteando entre cachoeiras,
lançando-se para seguir seu curso
natural
e se afogando entre suas próprias águas ou mágoas.
Sereno lago
em sua mansidão eterna, sob o inverno
rigoroso
da solidão que gela um sentimento.
Sol aberto,
céu azul convidando a viver toda a
intensidade do calor
que se forma sob a forma de vida.
Noite sem luar,
madrugada fria, onde
a vidraça da alma esconde segredos
embaçados pelos pingos de chuva.
Por quê sentir-me assim
diferente de tudo que já senti?
Vulto e presença viva,
luz e escuridão que confunde-se entre si,
beleza do mar que contrasta com a
quietude de suas ondas, sem a ação das
marés.
Escrevo na esperança de encontrar-me,
entre palavras soltas numa página sem
linhas
desenho uma realidade ilusória.
Traços esboços, contornos que se fazem
real
ante meus olhos.
Procuro-me entre ruas e luas,
corpos e almas nuas
que queimam sem aquecer-me.
Copos e bares são confidentes,
ao meu lado, sentado, meu coração
torna-se ausente,
distante vejo minha imagem perder-se
ente nuvens de saudade que invadem
a minha aturdida alma,
perdida a
caminhar sem rumo
qual barco no mar sem prumo.
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