quinta-feira, 9 de maio de 2013

ALMA NUA



                                                                            
A cidade ainda dorme e encontro-me
caminhando pelas suas ruas desertas.
Minh’alma nua, se veste como pode.
Sinto frio, uma brisa gelada percorre meu corpo,
vago corpo que se perde no passar das horas,
no correr do tempo
sem pressa, sem rumo. Lento.
Silêncio absoluto.
Nenhuma viva alma anda por essas bandas,
como diria minha saudosa avó.
Vejo-me só nesse vazio sepulcral.
Olho ao redor, estanha sensação invade-me,
um misto de temor e força, não consigo definí-la.  
O tédio avança como teia que trança um enredo,
onde personagens reais confundem-se entre si.
A solidão aos poucos deixa
seu amargo gosto em minha boca.
O sol brilha no horizonte,
surgindo com uma proposta de um dia melhor,
mesmo assim ainda estou só.
Vejo passos passarem por mim numa
correria desenfreada, não consigo acompanhá-los.
Parecem fugir de algo, parecem fugir de mim
quem sabe até, fugirem da vida, não sei.
Seus olhos, aflitos e angustiados,
não conseguem encarar a dura realidade que os cercam.
Vivem a procura, como eu, de si mesmos.
A manhã segue seu curso, seu transcorrer
anuncia que a tarde chega,
e com ela a proximidade da noite
e seus mistérios, odores e lendas.
Tiro a venda dos meus olhos,
quero ver com meus próprios olhos
e enfrentar sem medo um universo desconhecido,
nebuloso mundo que se forma ante nossos  pavores e receios.
Assim, a vida ganha contornos, cores novas
que constroem uma atmosfera diferente das que tenho vivido ultimamente.

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