A cidade ainda dorme e encontro-me
caminhando pelas suas ruas desertas.
Minh’alma nua, se veste como pode.
Sinto frio, uma brisa gelada percorre
meu corpo,
vago corpo que se perde no passar das
horas,
no correr do tempo
sem pressa, sem rumo. Lento.
Silêncio absoluto.
Nenhuma viva alma anda por essas bandas,
como diria minha saudosa avó.
Vejo-me só nesse vazio sepulcral.
Olho ao redor, estanha sensação
invade-me,
um misto de temor e força, não consigo
definí-la.
O tédio avança como teia que trança um
enredo,
onde personagens reais confundem-se
entre si.
A solidão aos poucos deixa
seu amargo gosto em minha boca.
O sol brilha no horizonte,
surgindo com uma proposta de um dia
melhor,
mesmo assim ainda estou só.
Vejo passos passarem por mim numa
correria desenfreada, não consigo
acompanhá-los.
Parecem fugir de algo, parecem fugir de
mim
quem sabe até, fugirem da vida, não sei.
Seus olhos, aflitos e angustiados,
não conseguem encarar a dura realidade
que os cercam.
Vivem a procura, como eu, de si mesmos.
A manhã segue seu curso, seu transcorrer
anuncia que a tarde chega,
e com ela a proximidade da noite
e seus mistérios, odores e lendas.
Tiro a venda dos meus olhos,
quero ver com meus próprios olhos
e enfrentar sem medo um universo
desconhecido,
nebuloso mundo que se forma ante nossos pavores e receios.
Assim, a vida ganha contornos, cores novas
que constroem uma atmosfera diferente
das que tenho vivido ultimamente.
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