terça-feira, 21 de maio de 2013

CAMINHAR






Caminho Por Entre Ruas e Luas,
Por Entre Corpos e Almas Nuas,
Lares e Mares Distantes.
Caminho Por Entre Lamas e Gramas,
Por Entre em Camas e Damas,
Bocas e Beijos Ardentes.

Caminho Por Entre Paredes e Redes,
Por Entre a Fome e a Sede,
Inverno e Verão.  
Caminho Por Entre Portais e Jornais,
Por Entre Poltronas e Sofás,
Recortes, Folhas ao Chão.

Caminho Por Entre Delírios e Alucinações,
Por Entre Razões e Paixões,
Calmaria e Prazer.
Caminho Por Entre Copos e Bares,
Por Entre Senões e Pesares,
Noite e o Amanhecer.

Caminho Por Entre Jardins e Flores,
Por Entre Aromas e sabores
Saudades, Recordações.
Caminho Por Entre Caminhos e Espinhos,
Por Entre Idas e Vindas e Sozinho
 Faço dos Sonhos, Ilusões.




segunda-feira, 20 de maio de 2013

ESTRANHA SENSAÇÃO




Tenho tanta coisa a dizer,
ao mesmo tempo nada para falar.
Estranho sentir-me assim.
Vazio,
repleto de frases feitas, sem sentido algum
espelho do espelho que não sou.
Intenso
como um turbilhão de emoções,
vulcão prestes a explodir em chamas de paixão.
Corajoso
como um rio caudaloso, que corta pedras
serpenteando entre cachoeiras,
lançando-se para seguir seu curso natural
e se afogando entre suas próprias águas ou mágoas.
Sereno lago
em sua mansidão eterna, sob o inverno rigoroso
da solidão que gela um sentimento.
Sol aberto,
céu azul convidando a viver toda a intensidade do calor
que se forma sob a forma de vida.
Noite sem luar,
madrugada fria, onde
a vidraça da alma esconde segredos embaçados pelos pingos de chuva.
Por quê sentir-me assim
diferente de tudo que já senti?
Vulto e presença viva,
luz e escuridão que confunde-se entre si,
beleza do mar que contrasta com a
quietude de suas ondas, sem a ação das marés.
Escrevo na esperança de encontrar-me,
entre palavras soltas numa página sem linhas
desenho uma realidade ilusória.
Traços esboços, contornos que se fazem real
ante meus olhos.
Procuro-me entre ruas e luas,
corpos e almas nuas
que queimam sem aquecer-me.
Copos e bares são confidentes,
ao meu lado, sentado, meu coração torna-se ausente,
distante vejo minha imagem perder-se
ente nuvens de saudade que invadem
a minha aturdida alma, 
perdida a caminhar sem rumo
qual barco no mar sem prumo.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

ALMA HUMANA



 
A alma humana esconde segredos que nem mesmo a nossa vã filosofia 
poderia acompanhar seu processo.
Sua criação é única, ímpar, inigualável.
Vide os poetas e escritores, que viajam em seu doce delírio, 
criando universos imaginários, personagens fictícios que vivem suas histórias 
como se verdades fossem, heróis e vilões na eterna luta entre o bem e o mal.
Constrói-se uma situação abstrata que muitas vezes retrata a realidade viva, 
nua e crua com todos seus aspectos.
Remonta-se uma quebracabeça com peças isoladas que, ligadas entre si, 
dão vida a vida que se forma ao redor.
E assim a alma nos presenteia com sua performance, seus mistérios e nuances.
Reféns ao seu bel prazer, espectadores de sua apresentação solo.
Não tenho a pretensão de compreendê-la.
Não possuo informações técnicas embasadas em teses comprovadas, 
não sou estudioso do assunto em questão que me permitiria analisar, 
ainda que superficialmente a matéria, apenas sob a óptica literária, 
sou apaixonado por ela, a alma humana. 
Seu nome em si desperta interesse e o fato de não conhecê-la plenamente 
fascina tantas mentes, inclusive a minha, projetando num terreno desconhecido, 
a ideia de se descobrir neste universo indecifrável. 
Território insólito, oceano de perguntas muitas vezes sem respostas,  ao mesmo tempo maravilhosa,
mergulho no infinito da criação sem  pretender ser criador. 
E nem poderia. Só existe Um. 
Transformo palavras em fatos sem ter a certeza de nada. 
Sou escravo das minhas emoções e vivo a proximidade de forma intensa, arrebatadora.
Não conheço nem mesmo a minha alma, por isso, 
como dissera no início, despretensiosamente escrevo estas linhas 
somente como ponto de reflexão sobre este artigo de luxo, 
tema apaixonante feito muitas vezes de lixo, 
mas essência natural que compõe nossa vida.
Intrigante. 
Instigante. 
Complexa.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

ALMA NUA



                                                                            
A cidade ainda dorme e encontro-me
caminhando pelas suas ruas desertas.
Minh’alma nua, se veste como pode.
Sinto frio, uma brisa gelada percorre meu corpo,
vago corpo que se perde no passar das horas,
no correr do tempo
sem pressa, sem rumo. Lento.
Silêncio absoluto.
Nenhuma viva alma anda por essas bandas,
como diria minha saudosa avó.
Vejo-me só nesse vazio sepulcral.
Olho ao redor, estanha sensação invade-me,
um misto de temor e força, não consigo definí-la.  
O tédio avança como teia que trança um enredo,
onde personagens reais confundem-se entre si.
A solidão aos poucos deixa
seu amargo gosto em minha boca.
O sol brilha no horizonte,
surgindo com uma proposta de um dia melhor,
mesmo assim ainda estou só.
Vejo passos passarem por mim numa
correria desenfreada, não consigo acompanhá-los.
Parecem fugir de algo, parecem fugir de mim
quem sabe até, fugirem da vida, não sei.
Seus olhos, aflitos e angustiados,
não conseguem encarar a dura realidade que os cercam.
Vivem a procura, como eu, de si mesmos.
A manhã segue seu curso, seu transcorrer
anuncia que a tarde chega,
e com ela a proximidade da noite
e seus mistérios, odores e lendas.
Tiro a venda dos meus olhos,
quero ver com meus próprios olhos
e enfrentar sem medo um universo desconhecido,
nebuloso mundo que se forma ante nossos  pavores e receios.
Assim, a vida ganha contornos, cores novas
que constroem uma atmosfera diferente das que tenho vivido ultimamente.