E qual vaga que quebra na praia, teu olhar esconde-se
em meio à areia, enquanto a lua, tão tímida, ensaia, o que no fundo tua alma
anseia.
Qual vaga que quebra
na praia, teu olhar errante, de certo não vê, enquanto a lua, tão tímida,
ensaia,
o que no fundo tua
alma não crê.
Qual vaga que morre
na praia, teu olhar sem força, aos poucos oculta, enquanto a lua, tão tímida,
ensaia,
o que no fundo tua
alma sepulta.
Mesmo próximo, te sinto tão longe, te quero tão perto, teu corpo fechado,
meu peito aberto.
Te sinto feliz, te vejo sonhando,
meus olhos tão tristes só vivem chorando.
E se por fora não aparento, por dentro já não aguento
tanta saudade sua.
Embora me esforce a fundo, me sinto sozinho no mundo
como mendigo na rua.
Às vezes me sinto como
um barco à deriva, pássaro sem rumo, vento sem força, vida sem prumo.
Sinto que sou um fogo sem chama,
chama que não arde, sou
estrela que não brilha,
sou brilho sem
vaidade.
Por instantes sou saudade,
sou vazio,
sou tristeza, solidão
sou ferida que não
sara, sou tara sem tesão.
Sou carinho sem
carícia, beijo que não excita,
sou desejo sem prazer,
algo que não se explica.
Então, ergo meus
olhos que se fixam no infinito,
através da vidraça molhada
de chuva.
Buscam no horizonte nublado
respostas para um
adeus, tolas esperanças
que não trarão de
forma
nenhuma o teu amor
novamente.
A chuva aumentando lá
fora, aumenta dentro do meu peito toda uma ansiedade que corrói minh’alma
e rasga meu coração fazendo-o
sangrar de saudade.
De repente, olho para
ti, deitada, calada, teu pelo em chamas e alguma coisa em meu
coração falou, quis
resistir mesmo sabendo
que era amor.
Pensei fugir, meio
perdido sem
saber qual direção, tentei
fingir,
sonhar, mentir pra enganar
o coração.
Amei demais, me
amaste sim
como quem ama
realmente de verdade.
Amor fugaz, chegaste
ao fim
trazendo enfim dor e
saudade.
Olhei você e tive a
certeza de que
Tudo fora em vão, quis
esconder
pra esconder de todos
minha decepção.
Pensei morrer, morrendo
junto com meu coração,
mas vou sobreviver, quem
sabe até achar
uma nova paixão.
Indeciso, caminhei
pelas ruas à esmo,
esqueci-me que você
havia esquecido, esqueci-me que havia perdido
esqueci-me, por isto voltei.
Esqueci-me que tudo havia acabado, esqueci-me que nada havia restado
esqueci-me, por isto voltei.
Esquecido, cheguei de repente sorriso nos lábios,
olhar reluzente querendo lhe falar.
Mas seus olhos nada falaram, apenas se afastaram
encontrando-se em outro olhar.
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