terça-feira, 2 de abril de 2013

SOLIDÃO




E qual vaga que quebra na praia, teu olhar esconde-se em meio à areia, enquanto a lua, tão tímida, ensaia, o que no fundo tua alma anseia.
Qual vaga que quebra na praia, teu olhar errante, de certo não vê, enquanto a lua, tão tímida, ensaia,
o que no fundo tua alma não crê.
Qual vaga que morre na praia, teu olhar sem força, aos poucos oculta, enquanto a lua, tão tímida, ensaia,
o que no fundo tua alma sepulta.
Mesmo próximo, te sinto tão longe, te quero tão perto, teu corpo fechado, meu peito aberto.
Te sinto feliz, te vejo sonhando,
meus olhos tão tristes só vivem chorando.
E se por fora não aparento, por dentro já não aguento
tanta saudade sua.
Embora me esforce a fundo, me sinto sozinho no mundo
como mendigo na rua.
Às vezes me sinto como um barco à deriva, pássaro sem rumo, vento sem força, vida sem prumo.
Sinto que sou  um fogo sem chama,
chama que não arde, sou estrela que não brilha,
sou brilho sem vaidade.
Por instantes sou saudade, sou vazio,
sou tristeza, solidão
sou ferida que não sara, sou tara sem tesão.
Sou carinho sem carícia, beijo que não excita,
sou desejo sem prazer, algo que não se explica.
Então, ergo meus olhos que se fixam no infinito,
através da vidraça molhada de chuva.
Buscam no horizonte nublado
respostas para um adeus, tolas esperanças
que não trarão de forma
nenhuma o teu amor novamente.
A chuva aumentando lá fora, aumenta dentro do meu peito toda uma ansiedade que corrói minh’alma
e rasga meu coração fazendo-o sangrar de saudade.
De repente, olho para ti, deitada, calada, teu pelo em chamas e alguma coisa em meu
coração falou, quis resistir mesmo sabendo
que era amor.
Pensei fugir, meio perdido sem
saber qual direção, tentei fingir,
sonhar, mentir pra enganar o coração.
Amei demais, me amaste sim
como quem ama realmente de verdade.
Amor fugaz, chegaste ao fim
trazendo enfim dor e saudade.
Olhei você e tive a certeza de que
Tudo fora em vão, quis esconder
pra esconder de todos minha decepção.
Pensei morrer, morrendo junto com meu coração,
mas vou sobreviver, quem sabe até achar
uma nova paixão.
Indeciso, caminhei pelas ruas à esmo,
esqueci-me que você
havia esquecido, esqueci-me que havia perdido
esqueci-me, por isto voltei.
Esqueci-me que tudo havia acabado, esqueci-me que nada havia restado
esqueci-me, por isto voltei.
Esquecido, cheguei de repente sorriso nos lábios,
olhar reluzente querendo lhe falar.
Mas seus olhos nada falaram, apenas se afastaram
encontrando-se em outro olhar.

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