segunda-feira, 22 de abril de 2013

FOLHAS DE OUTONO




 Vejo as folhas de outono espalhadas pelo chão e penso que preciso renovar-me.
Encho-me de esperança, e assim como elas, noto que a esperança que me invade precisa se oxigenar novamente, criar nova roupagem para prosseguir na estação que bate às portas da minha alma.
Deixar-me ir ao chão para renascer para a vida.
Ser levado sem tempo, sem pressa, espaço ou lugar.
Somente voar, voar ao doce sabor do vento que me embala, nesta corrente aérea que me faz viajante sem sair de mim.
O leve frio das manhãs outonais preenche meu corpo, faz vibrá-lo com ondas de calor que me aquece como talvez jamais tenha sentido ou percebido em toda minha existência.
Respiro, e deixo entrar todo ar puro de que necessito.
As tardes ganham contornos que não existem em nenhuma outra época. Cores e aromas ganham sentido.
As madrugadas escondem segredos,
gelam e congelam emoções, e a bruma densa se oculta 
como que não querendo revelar seus mistérios,
no frio e inóspito território da alma humana.
O inverno se aproxima perigosamente e preciso estar pronto para enfrentar as noites geladas, de vazio e muitas vezes solidão.
 Uma solidão só minha, de mais ninguém.
Uma solidão que se faz presente dentro do meu coração.
Que absorve toda e qualquer chama que teima em manter-se acesa e alimenta meu ser.
Devo lutar com todas as minhas forças contra este inverno que ameaça se apoderar de mim e afastar-me dos meus sonhos, dos meus anseios.
Que tenta isolar-me em uma masmorra no castelo da minha fraqueza, margeando meus sentimentos.
Como ondas revoltas, chocam-se contra os rochedos do meu coração, numa luta sem trégua.
Nos outonos da minha vida construí minha fortaleza,
reforcei minhas defesas.
Outras folhas virão e farão o seu papel melhor que fiz.
Outras folhas no lugar surgirão e mostrarão que tudo
em nossa vida passa, se renova,
floresce mais cedo ou mais tarde, quando bem cuidada.
E que as nossas inquietações naturais de seres humanos que somos, encontram refúgio no correr do tempo,
à medida que aplacadas as dores, mágoas e ilusões.
Um novo ser se faz crescer e uma nova vida renasce para a eternidade.
Como as folhas de Outono.    

  

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