Caos e ordem convivendo no mesmo espaço,
disputando cada pedaço de chão e atenção.
Incompreensão à todo tipo de prova, como
se quisessem provar para si mesmos que é possível essa convivência impossível.
Ninguém cede terreno, os ânimos
acirram-se cada vez mais, a tensão existente cresce a olhos vistos.
Não se vislumbra trégua a vista, o
horizonte aparece sombrio diante da vida que se pensa viver.
A ordem, com seu jeito metódico,
meticuloso, organizado e equilibrado talvez até demais para este momento,
insiste ante o que parece determinado a dar errado, que precisam juntos tentar,
ainda que forças contrárias teimem em torcer para o fracasso.
Pior seria deixar desse jeito, porque
não buscar então,
solução consensual amigável.
Por sua vez, o caos brada aos quatros cantos
que não
modificará sua maneira de ser.
Está muito bem assim, não tem o menor
interesse em provocar e produzir mudanças.
Ainda mais a começar por ele.
Quanta pretensão por parte da ordem.
Quem pensa ser ela com essa empáfia.
Viveu toda a sua vida desta forma e
sente-se bem assim.
Ri dos tumultos provocados por ele, e
sem falsa modéstia, orgulha-se pela confusão que causa no interior das pessoas
e consequentemente no mundo.
Assiste a tudo de camarote,
refastelando-se nesta miscelânea toda, soberano.
Coitada da ordem, que ao ver esta
desordem generalizada contra qual luta toda a sua existência, sente-se muitas
vezes fraca para continuar
nesta empreitada que sabe ser inglória.
Sabe que não pode desistir do ser
humano, que é necessário acreditar que conseguirá vencer esta batalha.
Não se dará por vencida. Não é do seu
feitio entregar os pontos.
Lutará com todas as suas forças, as
poucas que ainda resistem dentro de si.
Aprendeu que o caos, opositor ferrenho,
trabalha pela dispersão das ideias, pela divisão de sentimentos, espalhando
dúvidas onde se tem certezas, disseminando a cultura da discórdia, da
balbúrdia.
Mantém-se, então, serena diante deste
quadro que assola a humanidade.
No meio dessa disputa, a paz transita
entre os dois, quase que absoluta.
O caos a olha indiferente, evita a todo
custo sua intromissão, pois não quer mais nenhuma interferência em suas ações.
A ordem, sabedora da força da paz, tenta
uma aproximação maior.
Sabe não, tem certeza.
Somente ela poderá dar um rumo para este
barco desgovernado no qual a raça humana entrou.
A sua tranquilidade em lidar com
situações que nem ela, a ordem contornaria, será de extrema valia. Via-a como
estrategista, tendo sempre uma resposta pronta e elucidativa, olhando com olhos
que nenhum outro conseguiria enxergar.
Olha com o coração e com a alma, mesmo
em tempos difíceis como este pelo qual passa os seres humanos.
Tempos de angústias e aflições, de fome
e guerra que se espalham sem sentido algum.
Encontra no meio do caos, ordem para se
guiar.
Age com calma peculiar a todos que amam
sem discriminação, que se doam com plena convicção dos seus atos, que não se
recusam a ajudar e socorrer.
Que estende a mão nas horas em que mais
se precisa de uma mão amiga.
Tentará uní-los num só objetivo; defesa da
vida em todas as suas formas.
Mostrar que o caos, ainda que tivesse
seu motivos,
motivo maior seria preservar o homem.
E que as ações dele só causam dor,
sofrimento, desilusões.
Mata a esperança de um futuro melhor. Ao
olhar para o passado vê-se como agiu erroneamente durante toda a história.
O que ganharia com esse final?
Por outro, argumentaria com a ordem, que
é imprescindível analisar qualquer situação antes de tomar uma atitude.
Temos visto que é preciso agir com
energia, mas essa mesma energia não pode passar do tolerável, não pode chegar a
níveis absolutamente impensáveis.
Assim, consegue juntá-los numa mesa para
conversarem
e acertarem pontos em comum.
Abrir a guarda sem receio, expor seus
medos sem temer a força do outro, ao contrário, fortalecer-se com isto.
Desta forma, entram num acordo, selam a
paz tão desejada e sonhada por todos.
Finalmente, o caos se recolhe em sua
insignificância, a ordem reina tranquila e a
paz... a paz segue seu caminhar a
procura de conflitos para que possa interceder em prol do seu objetivo final:
O amor entre os homens.