Falo de poesia e literatura em geral, com
a propriedade de vivê-las intensamente.
Respiro-as como o próprio ar que
respiro,
como o próprio sangue que circula por
meu corpo.
Vivo-as como se minha vida fosse,
como se fosse a minha própria vida.
Entre linhas, rabiscos e traços,
traço em esboços o meu existir.
A matéria que compõe minha existência
contém a mesma essência
deste universo lúdico, envolvente.
Rimas, versos, frases fazem a minha
história paralela
à história dessa santa ilusão realística
que nos faz personagens.
Vivo tantas vidas me forem possíveis
viver,
entre o abrir e fechar de folhas e
páginas.
Confesso deleitar-me com
os
versos de Neruda,
com
os encantos de Cecília e a magia de Clarissa,
o realismo
de Machado,
os
mistérios de Pessoa.
Deixo-me
levar pela
pelos
caminhos de Passarelli,
pela
luta de Castro,
pela
paixão de Vinícius,
pela
multiplicidade de Cora,
pelo
nacionalismo de Bilac,
pela
vasta obra de Quintana,
simplesmente
por Drummond.
O
fascínio infantil de Lobato,
o
indianismo de Alencar,
o
modernismo de Bandeira,
a
canudos de Euclides,
o
regionalismo de Graciliano e Guimarães,
o
pessimismo poético de Álvares
e
o naturalismo de Aluísio,
a
temática mortal de Augusto
e
a sensualidade provocativa de Amado
e
pela intensidade da alma de Florbela.
Assim, a vida se renova dentro de mim,
criando formas novas e ousadas,
sobre os alicerces da doce imaginação
que sobrevive em cada
poeta/escritor.
Assim, eu me renovo e
vivo a realidade ilusória de minha
existência.
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