segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

LITERATURA PRÓPRIA





Falo de poesia e literatura em geral, com a propriedade de vivê-las intensamente.
Respiro-as como o próprio ar que respiro,
como o próprio sangue que circula por meu corpo.
Vivo-as como se minha vida fosse,
como se fosse a minha própria vida.
Entre linhas, rabiscos e traços,
traço em esboços o meu existir.
A matéria que compõe minha existência contém a mesma essência
deste universo lúdico, envolvente.
Rimas, versos, frases fazem a minha história paralela
à história dessa santa ilusão realística que nos faz personagens.
Vivo tantas vidas me forem possíveis viver,
entre o abrir e fechar de folhas e páginas.
 Confesso deleitar-me com
os versos de Neruda,
com os encantos de Cecília e a magia de Clarissa,
o realismo de Machado,
os mistérios de Pessoa.
Deixo-me levar pela
pelos caminhos de Passarelli,
pela luta de Castro,
pela paixão de Vinícius,
pela multiplicidade de Cora,
pelo nacionalismo de Bilac,
pela vasta obra de Quintana,
simplesmente por Drummond.
O fascínio infantil de Lobato,
o indianismo de Alencar,
o modernismo de Bandeira,
a canudos de Euclides,
o regionalismo de Graciliano e Guimarães,
o pessimismo poético de Álvares
e o naturalismo de Aluísio,
a temática mortal de Augusto
e a sensualidade provocativa de Amado
e pela intensidade da alma de Florbela.     
Assim, a vida se renova dentro de mim,
criando formas novas e ousadas,
sobre os alicerces da doce imaginação
que sobrevive em cada
poeta/escritor.
Assim, eu me renovo e
vivo a realidade ilusória de minha existência.



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