Sou
oposto e aposto em minha dualidade,
geminiano
de ações instáveis e volúveis
que
flutua entre aflições e dúvidas,
próprias
de minha existência.
A
inconstância presente se faz a única certeza
e
o anseio de sonhos criam vida onde vida não pode existir.
Sou
peregrino de mim mesmo,
viajante
solitário num caminho deserto,
de
certo, apenas o caminhar incerto para qualquer lugar.
Sou
afeito ao avesso e no reverso de meus versos
tento
encontrar-me na poesia que me guia.
Nesse
universo lúdico, invólucro que me reveste,
revisto-me
de uma chama que alimenta a minha alma.
Sou
frágil e forte na mesma proporção,
areia
e vento que não se grudam,
água
e óleo que não se misturam.
Sou
caça e caçador que não se entendem,
laço e nó que não se prendem.
Mutante,
superficial
e profundo na mesma intensidade,
sinto
que as pessoas precisam estarem perto e ao
mesmo
tempo distante de mim,
sentem
faltam da minha presença e querem-me longe.
Sou complexo e contraditório,
entusiasta
inicial por excelência,
desanimador
por natureza.
Emotivo
e emocional,
cultuo
a solidão e a multidão.
Impetuoso
ao extremo, pouco meço palavras e atitudes.
E
faço-as certas de estar certo.
Não
as controlo, por razões próprias.
Sou
refém, prisioneiro de suas ações e
livre
no agir individual.
Aéreo,
busco na paixão terrena fertilidade para criar raízes para meu coração.
Defino-me como indefinível,
na estranha frieza de meu comportamento adverso.
Não
espere encontrar-me
e
nem tente impedir-me de partir,
a inquietude
de que sou feito faz-me assim:
Alguém
imprevisível.
Serei
sempre um único ser,
e
vários seres desconhecidos à partir de mim mesmo.
Na minha plural e singularidade possuo uma essência interior que por mais que
deseje partilhar, pertence somente a mim.
Poesia pura e simplesmente, arte de se encantar com palavras, letras, sonhos...
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