Caminhei afastado de mim sem saber que
tudo não passou de um sonho.
Uma realidade ilusória,
que transformou minha existência num
terreno infértil.
Percorri um universo que tornou vazio
meu estado de ser, minha alma, meu corpo.
Mergulhei num oceano de águas profundas
afogando mágoas, dores, rancores.
Fiz-me escravo, prisioneiro de algo que
não criei,
mas que se apoderou dominando minhas já
combalidas forças internas. Fraco, deixei-me vencer.
Deixei expostas feridas que não
cicatrizavam de jeito nenhum,
lembranças vivas que sobrevoavam meus
pensamentos
e tentavam levar-me de volta à um passado
do qual
procurei fugir desesperadamente, feito fera
acuada, sem salvação.
Rastejei como animal, comi o pão que o
diabo amassou
posto de lado, não sabia qual lado ficar.
Decidido, desfiz-me das teias que me envolviam
por inteiro, sacudi a poeira que cobria meu rosto,
jogando fora toda e qualquer
possibilidade
de voltar a me ver neste tormento sem
fim.
Eu quero, preciso novamente ser luz.
Sombra que fui, num mundo perdido em
contradições e desavenças.
Completo deserto, rio sem leito
aflições à flor da pele que rasgavam minha
carne, feito navalha, como se palha fosse.
Que me trouxe angústia e solidão.
No horizonte vejo o resplandecer de um
novo mundo.
Paz e silêncio andando e mãos dadas,
sorrindo.
Vivi uma vida que não pedi, mas que
escolhi, ainda que tivesse consciência do mal que me fazia, ainda assim insisti.
Contra tudo e contra todos.
Mas uma força maior, apareceu-me e cobriu-me com seu brilho intenso, estendendo
as mãos marcadas e me fez caminhar junto à ele.
Teu sorriso traz serenidade, sua voz é
doce e calma como riacho eterno em sua mansidão a correr pro mar.
Seu silêncio fala baixinho em meu
coração aquecendo-o.
A escuridão existente se transforma numa
manhã de primavera,
e quando menos se espera me vi frente ao
que sempre procurei,
que me conforta nos momentos de
tristezas, que sempre está ao meu lado e eu em minha santa ignorância e
arrogância não percebo.
Doce ou amarga ilusão, dependendo do
ângulo que analisar.
Sou instrumento de uma força superior, chamada
Jesus.
A sua presença se faz necessária como o
ar que respiro.
Meus passos, nas veias tortas da caminhada,
afastam-se muitas vezes em outra
direção.
Chama-me pelo nome e me faz lembrar dos
meus erros e que devo retomar meu caminhar.
A jornada é longa, não temo, pois sei
que comigo estarás.
E sempre que fraquejar, levantar-me-á e
fará com que volte a seguir na direção certa, na sua direção meu Senhor e meu Deus.
Glórias
e Louvores se deem à todo momento,
ao Santíssimo e Digníssimo
Sacramento
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