Sabe aqueles dias onde nada acontece e
você parece ter caído num planeta
estranho.
Na verdade, você se sente um ser
estranho.
Olha como se tudo estivesse fora do
lugar. Nada se parece com nada.
E assim, percebe-se como alguém
completamente avesso no meio do avesso atual.
Seres passam ao teu lado como passa o
tempo, as coisas ao redor não lhe dizem respeito.
Não pertence a esse universo,
não possui lembranças vivas que o façam
reviver saudades.
Você está fora, em órbita, ainda que com
os pés no chão,
pareça flutuar em meio ao caos e a
ordem.
Não sabe situar-se entre eles.
Tenta de qualquer maneira encontrar-se
consigo mesmo.
Tenta entender o que está se passando e
não se reconhece.
Olha para si e não vê a sua imagem
refletida.
Como espelho não espelha o que tanto o atormenta.
Sente-se frágil, indefeso diante da vida,
como dos medos de infância.
Tem vontade de se esconder, fechar as
cortinas dos seus sentimentos,
confinar-se em si.
Proteger-se, como a defender o que não
pode ser defendido.
Foge correndo, não sabe porquê nem para
onde.
Foge por fugir. Corre por correr.
Procura, entre as possíveis chances de
sobrevivência,
combustível para voltar a terra,
retornar a sua origem.
Reaquecer a nave e impulsioná-la, rumo
ao azul novamente.
Porém, percebe aos poucos, que sempre se
encontrou no
mesmo lugar e nunca saiu dele.
Sua mente divagou sem sair do corpo.
Alçou voos mais altos, percorreu
caminhos inexplorados, navegou mares distantes.
Viveu experiências como poucos vivem ao
longo de sua vida.
Mas, é preciso enfrentar a realidade da
volta em si. Dura, nua e crua realidade.
Fatos reais estão aí para serem
superados com altivez,
sem temores ou receios.
Não temos afinal, mais tempo de
evitarmos os problemas.
Eles batem a nossa porta à toda hora e
não podem e não devem servir de desculpas
para fracassos.
Levantar a cabeça e seguir em frente,
passos firmes e decididos.
Erros e acertos fazem parte do processo de
evolução e devemos saber lidar com
todas as situações de maneira clara, consciente e tranquila.
Vão comentar que é mais fácil falar do
que fazer.
Concordo em gênero, número e grau. Sem
tirar nem por.
Conforme linhas acima, reflito:
deve servir de desculpas ou estímulos
para serem ultrapassados?
Vai depender de cada olhar.
Depender de como cada ser reage e age
ante ao momento do clímax.
O vazio que se apodera, não pode
preencher espaços.
A fúria irracional não pode ocupar o
lugar do controle acima de tudo.
Precisamos desfazer os nós e os laços,
desatracar a embarcação e navegarmos
por esse infinito como o próprio nome
diz.
Precisamos ser felizes, enquanto ainda
nos é possível viver.
Morrer se necessário for, mas nunca
deixar de lado,
o lado aventureiro de não se cansar ante
as dificuldades.
De acreditar que sempre é possível
vencer obstáculos,
barreiras existem para serem quebradas,
limites para serem superados.
Astronauta terrestre, sem ser lunático
ao extremo.
Mergulhador de águas profundas que
povoam teu interior.
Espaçonave viva em permanente procura
para o
reencontro eterno do olhar com o
presente.
O futuro chegará e o passado ficou na
esteira do tempo.
Da terra gritar aos quatros cantos e
ventos:
O prazer de amar faz parte da vida
e a vida é se dar.
Por inteiro, completo
Alma, coração e corpo abertos ao amor.
A nossa saga e sina é lutar...
até a morte, pela vida, pelo amor...
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