sexta-feira, 28 de junho de 2013

EXISTENCIAL CONVENIÊNCIA





O abismo existente entre a realidade e a ilusão não se encontra tão distante como muitas vezes parece estar e remete-nos à um mundo diferente do que imaginamos para nossas vidas. Esta tênue linha que o divide, forma em cada ser uma passagem, que permite penetrar e viver ou não intensamente este plano desconhecido dentro de nós mesmos. A complexidade de sentimentos do qual somos formados, confundindo-se entre si, faz-nos peregrinos de uma viagem que parece interminável, mas que na verdade, temos plena consciência de sua finitude, e nos envolvemos de tal maneira que mais que partes integrantes, somos personagens no contexto desta história.

Somos essências mutáveis, na busca permanente pela evolução do corpo, da alma, dos sentidos. Experimentamos ao longo de nossa vida sensações diversas, emoções complexas, sentimentos estes, ambivalentes, que nos transportam pelos caminhos mais longínquos de nossa existência, por um universo distante da realidade utópica, efêmera e fugaz que conhecemos.
Nossos sentimentos e pensamentos são fontes inspiradoras e esclarecedoras de muitas atitudes perante a vida, tornando-nos personagens vivos deste universo.
Espelhos que refletem a inquietude da alma e que revelam nosso pensar, nosso agir, nossa maneira de olhar o mundo de forma que possamos perceber que não estamos sozinhos nesta caminhada. Os conflitos existentes dentro de nossa alma e as confissões de que somos seres imperfeitos, nos fazem buscar por algo desconhecido dentro de nós mesmos, que possa fazer-nos pessoas melhores, seres humanos diferentes. Ou seja, fazer-nos refletir através das nossas atitudes, sobre nossas fraquezas e forças ao mesmo tempo.
Cada ser humano cria sua própria história, enfrentando seus temores, vivendo sua realidade dia a dia, buscando superar-se, vencendo seus limites, na busca permanente pelo crescimento interior. Segredos e mistérios que somente a individualidade da alma humana tem ciência, dentro de seus confinamentos interiores. Os conflitos existentes dentro de nós, fazem parte do universo complexo que vivemos. Criamos uma atmosfera que nos envolve como se fosse uma bruma densa, espessa, que não se dissipa facilmente. Reclusos em nossos corações, arrefecemos ou recrudescemos todas as emoções conforme como nossa existencial conveniência.


 



terça-feira, 25 de junho de 2013

Vida Minha


                   

Caminhei afastado de mim sem saber que tudo não passou de um sonho.
Uma realidade ilusória,
que transformou minha existência num terreno infértil.
Percorri um universo que tornou vazio meu estado de ser, minha alma, meu corpo.
Mergulhei num oceano de águas profundas
afogando mágoas, dores, rancores.
Fiz-me escravo, prisioneiro de algo que não criei,
mas que se apoderou dominando minhas já combalidas forças internas. Fraco, deixei-me vencer.
Deixei expostas feridas que não cicatrizavam de jeito nenhum,
lembranças vivas que sobrevoavam meus pensamentos
e tentavam levar-me de volta à um passado do qual
procurei fugir desesperadamente, feito fera acuada, sem salvação.
Rastejei como animal, comi o pão que o diabo amassou
posto de lado, não sabia qual lado ficar.
Decidido, desfiz-me das teias que me envolviam por inteiro, sacudi a poeira que cobria meu rosto,
jogando fora toda e qualquer possibilidade
de voltar a me ver neste tormento sem fim.
Eu quero, preciso novamente ser luz.
Sombra que fui, num mundo perdido em contradições e desavenças.
Completo deserto, rio sem leito
aflições à flor da pele que rasgavam minha carne, feito navalha, como se palha fosse.
Que me trouxe angústia e solidão.
No horizonte vejo o resplandecer de um novo mundo.
Paz e silêncio andando e mãos dadas, sorrindo.
Vivi uma vida que não pedi, mas que escolhi, ainda que tivesse consciência do mal que me fazia, ainda assim insisti.
Contra tudo e contra todos.
Mas uma força maior, apareceu-me e  cobriu-me com seu brilho intenso, estendendo as mãos marcadas e me fez caminhar junto à ele.
Teu sorriso traz serenidade, sua voz é doce e calma como riacho eterno em sua mansidão a correr pro mar.
Seu silêncio fala baixinho em meu coração aquecendo-o.
A escuridão existente se transforma numa manhã de primavera,
e quando menos se espera me vi frente ao que sempre procurei,
que me conforta nos momentos de tristezas, que sempre está ao meu lado e eu em minha santa ignorância e arrogância não percebo.
Doce ou amarga ilusão, dependendo do ângulo que analisar.
Sou instrumento de uma força superior, chamada Jesus.
A sua presença se faz necessária como o ar que respiro.
Meus passos, nas veias tortas da caminhada,
afastam-se muitas vezes em outra direção.
Chama-me pelo nome e me faz lembrar dos meus erros e que devo retomar meu caminhar.
A jornada é longa, não temo, pois sei que comigo estarás.
E sempre que fraquejar, levantar-me-á e fará com que volte a seguir na direção certa, na sua direção meu Senhor e meu Deus.
Glórias e Louvores se deem à todo momento,
ao Santíssimo e Digníssimo Sacramento