O
abismo existente entre a realidade e a ilusão não se encontra tão distante como
muitas vezes parece estar e remete-nos à um mundo diferente do que imaginamos
para nossas vidas. Esta tênue linha que o divide, forma em cada ser uma
passagem, que permite penetrar e viver ou não intensamente este plano
desconhecido dentro de nós mesmos. A complexidade
de sentimentos do qual somos formados, confundindo-se entre si, faz-nos
peregrinos de uma viagem que parece interminável, mas que na verdade, temos
plena consciência de sua finitude, e nos envolvemos de tal maneira que mais que
partes integrantes, somos personagens no contexto desta história.
Somos essências
mutáveis, na busca permanente pela evolução do corpo, da alma, dos sentidos.
Experimentamos ao longo de nossa vida sensações diversas, emoções complexas,
sentimentos estes, ambivalentes, que nos transportam pelos caminhos mais longínquos
de nossa existência, por um universo distante da realidade utópica, efêmera e
fugaz que conhecemos.
Nossos
sentimentos e pensamentos são fontes inspiradoras e esclarecedoras de muitas
atitudes perante a vida, tornando-nos personagens vivos deste universo.
Espelhos que
refletem a inquietude da alma e que revelam nosso pensar, nosso agir, nossa
maneira de olhar o mundo de forma que possamos perceber que não estamos
sozinhos nesta caminhada. Os conflitos
existentes dentro de nossa alma e as confissões de que somos seres imperfeitos,
nos fazem buscar por algo desconhecido dentro de nós mesmos, que possa
fazer-nos pessoas melhores, seres humanos diferentes. Ou seja,
fazer-nos refletir através das nossas atitudes, sobre nossas fraquezas
e forças ao mesmo tempo.
Cada
ser humano cria sua própria história, enfrentando seus temores, vivendo sua
realidade dia a dia, buscando superar-se, vencendo seus limites, na busca
permanente pelo crescimento interior. Segredos e
mistérios que somente a individualidade da alma humana tem ciência, dentro de
seus confinamentos interiores. Os conflitos
existentes dentro de nós, fazem parte do universo complexo que vivemos. Criamos
uma atmosfera que nos envolve como se fosse uma bruma densa, espessa, que não
se dissipa facilmente. Reclusos em nossos corações, arrefecemos ou
recrudescemos todas as emoções conforme como nossa existencial conveniência.