segunda-feira, 25 de março de 2013

SOMBRA HUMANA





Rasga a noite, sereno e ao mesmo tempo feroz..

Anda qual sombra, entre as penumbras, silhueta que visita o escuro e sombrio mundo noturno.

Criatura viva, vulto que percorre universos distantes de tudo que já se viu.

Caminha pela noite, perdido à esmo, escravo de si, corpo mutilado pela dor.

Vive um mundo perverso, isolado de tudo e de todos.

Sonhos transformados em pesadelos, lembranças que se perderam no passar dos anos, enganos que o afastaram de si mesmo.

Não mais se reconhece nas coisas simples de sua existência, não mais encontra refúgio nos ombros amigos.

Sua realidade é essência morta, deserto de sentimento.

Sabe que já morreu aos olhos alheios.

Distancia-se da própria vida.

Sente que não pertence a este mundo.

Sombra Humana que vê a alma

perder-se diante dos olhos.

Não tem mais força para lutar.

Esvaiu-se como sangue jorrando pelo chão.

Inerte jaz, sem paz!

Teu coração...chora triste...

À espera de alguém que possa ajudá-lo a salvar-se.

Ainda crê que pode existir saída, sua vida não pode deixar-se morrer sem luta.

Tinha sonhos, onde estão agora?

Perdidos em algum caminho, vagando por desertos incontáveis.
Como recuperar este tempo?

Como encontra-se novamente?

Precisa urgentemente alçar voos altos,

sair da beira deste precipício que se posicionei para saltar, desgostoso da vida, envolto em dúvidas, recheadas de angústias e aflições e escapar dessa prisão,

por ele criada, livre ser e estar pronto para outra caminhada. Árdua e longa.

Quebrar os grilhões, cadeados e correntes deixados de lado, sorrir e buscar novo rumo, sentido de uma nova esperança que se abre sobre sua existência.

Sente estar mais leve, talvez  somente impressão, não sabe, não pode afirmar ser isto verdade, mas que verdade?

Não possui nenhuma, vive apenas do ceticismo que por momentos se apodera de si mesmo.

Trava uma hercúlea batalha interior, enfrentando sentimentos que o jogam para baixo. Resiste, insiste em não deixar-se abater. Sabe que podo sair vencedor deste jogo, não permitir que seja ele enredado como alvo numa teia de aranha.

Afastar-se deste pesadelo e voltar a ser luz, não sombra ou vulto que perambula sozinho pela escuridão.

Fazer o sol brilhar outra vez com toda a sua força e magia.

Caminhar simplesmente, sorrir sem medo, ver com seus próprios olhos, sentir com sua conflitante alma e viver tudo de bom que tem para viver.

Com toda plenitude que lhe é permitida.


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