Rasga a noite, sereno e ao mesmo tempo feroz..
Anda qual sombra, entre as penumbras,
silhueta que visita o escuro e sombrio mundo noturno.
Criatura viva, vulto que percorre
universos distantes de tudo que já se viu.
Caminha pela noite, perdido à esmo,
escravo de si, corpo mutilado pela dor.
Vive um mundo perverso, isolado de tudo
e de todos.
Sonhos transformados em pesadelos,
lembranças que se perderam no passar dos anos, enganos que o afastaram de si
mesmo.
Não mais se reconhece nas coisas simples
de sua existência, não mais encontra refúgio nos ombros amigos.
Sua realidade é essência morta, deserto
de sentimento.
Sabe que já morreu aos olhos alheios.
Distancia-se da própria vida.
Sente que não pertence a este mundo.
Sombra Humana que vê a alma
perder-se diante dos olhos.
Não tem mais força para lutar.
Esvaiu-se como sangue jorrando pelo
chão.
Inerte jaz, sem paz!
Teu coração...chora triste...
À espera de alguém que possa ajudá-lo a
salvar-se.
Ainda crê que pode existir saída, sua
vida não pode deixar-se morrer sem luta.
Tinha sonhos, onde estão agora?
Perdidos em algum caminho, vagando por
desertos incontáveis.
Como recuperar este tempo?
Como encontra-se novamente?
Precisa urgentemente alçar voos altos,
sair da beira deste precipício que se
posicionei para saltar, desgostoso da vida, envolto em dúvidas, recheadas de
angústias e aflições e escapar dessa prisão,
por ele criada, livre ser e estar pronto
para outra caminhada. Árdua e longa.
Quebrar os grilhões, cadeados e
correntes deixados de lado, sorrir e buscar novo rumo, sentido de uma nova
esperança que se abre sobre sua existência.
Sente estar mais leve, talvez somente impressão, não sabe, não pode afirmar
ser isto verdade, mas que verdade?
Não possui nenhuma, vive apenas do
ceticismo que por momentos se apodera de si mesmo.
Trava uma hercúlea batalha interior, enfrentando sentimentos que o jogam para baixo. Resiste, insiste em não
deixar-se abater. Sabe que podo sair vencedor deste jogo, não permitir que seja
ele enredado como alvo numa teia de aranha.
Afastar-se deste pesadelo e voltar a ser
luz, não sombra ou vulto que perambula sozinho pela escuridão.
Fazer o sol brilhar outra vez com toda a
sua força e magia.
Caminhar simplesmente, sorrir sem medo,
ver com seus próprios olhos, sentir com sua conflitante alma e viver tudo de bom que
tem para viver.
Com toda plenitude que lhe é permitida.
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