Vivi muitas
vidas que não conheci,
descobri mundos
inexplorados em minha alma,
passei por
lugares desconhecidos dentro de mim mesmo,
fui personagem
com tantas faces e farsas,
autor de
histórias que não escrevi.
Expus meu corpo,
revelei segredos,
percorri um
caminho solitário num universo distante de minha realidade utópica e fugaz,
atravessei um
oceano profundo, com ondas revoltas,
enfrentei
tempestades de sentimentos que reviravam-me do avesso,
avesso à isso
tudo, afastei-me deste sistema que mantinha-me aprisionado, enclausurado
internamente.
Sobrevivi aos
caos, no cais aportei meu corpo cansado de debater comigo mesmo, numa luta
inglória que não terá vencedor algum.
Perdi.
Perdi para mim
mesmo, entreguei os pontos, abandonei o barco, deixei-me vencer ou vencido sou
de tal forma, que repousa meu corpo, inerte jaz
entre flores no
jardim.
Flores sem vida,
mortas iguais a ele.
Fecho os olhos e
espero ela chegar, mansa ou vorazmente
devora-me por
completo, por inteiro
preenche meus
espaços, penetra meus poros e a escuridão que assola este momento é eterna,
fecha-se em si
própria, sentindo o frio intenso consumir todas as minhas forças, que esvaem-se
em finas gotas de vida que se perdem pelo chão, pelo ar, pelo ralo...
nada falo pois
não tenho o que falar, calo-me na minha solidão desértica, vendo minha última
imagem apagar-se ante meu olhos cansados...
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