sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SILÊNCIO


                     Perambulo pelas noites frias, em meio à neblina que corta a cidade.
Dá até para se ouvir a respiração ofegante por causa da baixa temperatura.
Perdido em meus pensamentos, ouço sons que não identifico dentro de mim.
Um vazio me invade de forma sorrateira, aos poucos preenche meus espaços, como que congelando-os.
Silêncio completo. Procuro-me e não encontro.
Olho ao redor e nada vejo, chega a ser ensurdecedor seu barulho dentro de mim, gotejando como chuva no telhado, tamanha força com que arrebata minha vontade, que indefesa, presa frágil, entrega-se sem oferecer resistência.
A sua insistência, aliás, em se fazer notar, é constrangedora.
Não consigo livrar-me, refém sou de mim mesmo.
Fujo sem destino, qualquer lugar que vá, comigo estás.
É meu cúmplice, dividindo segredos e medos.
Por outro lado meu inquisidor, crivando-me de perguntas sem respostas.
Às vezes, no silêncio noturno da minh’alma, ouço teu som como uma voz aflita, que grita pedindo por socorro.
Corro desesperado sem sair do lugar.
Meus passos estão pesados, como fardos difíceis de carregar.
Sento-me e choro. Um choro angustiado, de completo deserto interior molha meu rosto.
Ainda que minhas palavras encontrem refúgio, o som sombrio do silêncio faz-se presente convivendo solenemente com a dor premente que habita em meu ser.
                                     (Homenagem à Aline Goneli, Simon e Garfunkel.)

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