segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

LITERATURA E POETA



                                              A LITERATURA COMO ARTE QUE É...
                                                    EU COMO POETA QUE SOU...

A literatura, como eu conheci, está passando por transformações ao longo dos séculos, principalmente nos tempos atuais, onde a Internet, por meio das redes sociais, exercem um papel fundamental na disseminação da cultura em tempo recorde, provocando assim intervenções de toda ordem.
Menos lúdica, menos educativa, mais comercial. Nada contra, pelo contrário.
Este acontecimento faz até com que muitos autores consigam viver das vendas das suas obras, tamanha velocidade com que chegam aos leitores.
É o reconhecimento, por meio da mídia, da excelência literária.
 Coisa rara num passado não muito distante, onde todas as dificuldades eram superadas com a determinação de muitos escritores em lançar suas obras, desfazendo-se inclusive de bens pessoais para expô-la no mercado.
Na contramão, em muitos casos o “incentivo (R$)” pode deturpar a essência natural e ofuscar os grandes autores e as grandes obras. Privilegiar sem importar-se com qualidade, macula o objetivo real de qualquer patrocínio: produzir obras que tragam resultado financeiro positivo, óbvio, mas também agregar valores que enriqueçam a cultura do país como um todo, faz parte do contexto.
A ação discriminatória de grupos, que investem somente em figuras carimbadas, e não oferecem oportunidades a pessoas desconhecidas, desconfiando dos seus talentos, fazem com que, desta forma, antes de nascer, morram obras que poderiam transformar-se em grandes sucessos. Não só para os leitores, mas sobretudo para os patrocinadores.
 Necessário se faz equilibrar este processo, acreditando que num país como o nosso, imenso em sua dimensão continental, possui  em suas entranhas a cultura enraizada, a veia poética e artística em qualquer parte de suas fronteiras.
Não se pode permitir que talentos escondidos, não possam ser descobertos. É de vital importância o desenvolvimento da cultura, em todas as suas formas de expressão, fomentadas em todas as camadas sociais.
Grandes escritores, ao seu modo, contaram a grandeza deste país-continente.
Revelaram em traços e linhas, toda uma geografia inexplorada em sua totalidade.
Decantaram em prosa e verso seu amor por esta terra.
Mostraram-se por inteiro, na concepção verdadeira, vivenciando muitas de suas obras na própria carne.
O rural, tão bem desenvolvido através do homem do campo e sua luta contra seu maior inimigo: o próprio homem, sem se esquecer do eterno embate com
a implacável  natureza.
O urbano, mostrando todo desenvolvimento das cidades, seu problemas, seus conflitos.
A história do descobrimento, as cartas náuticas, as viagens marítimas, a primeira impressão de quem não conhecia estas paisagens, a religião em conflito com o poder, a colonização, as entradas e bandeiras em pleno exercício de desbravamento, a servidão e escravidão dos povos oprimidos que construíram este país, as mortes e a pouca sorte que deles apoderaram-se.
As obras nas igrejas, fortalezas imponentes, esculturas talhadas com inspiração, pinturas que identificaram movimentos, até monumentos naturais reverenciados, todos sem exceção tiveram sua participação exaltada através da literatura, dos livros.
A ciência, inovação, tradição e tecnologia andando de braços dados. Música, festivais, letras e melodia entrelaçados, na luta contra a ditadura. Belas canções que fazem parte do cancioneiro popular, erudito, clássico.
As revoluções que ganharam vulto e corpo ao longo das décadas, mostrando a força deste povo, sufocado em sua própria voz por quem os queriam calados.
Os interesses individuais acima dos públicos, a ganância desenfreada que vitimou vidas, que corrompeu pessoas, que desviou verbas destinadas à população, tudo foi contado de forma que tivéssemos informações precisas dos fatos do momento. Ainda que por um longo período, a escrita teve a censura no calcanhar, tentando-a calar à qualquer custo e preço. À tudo isso sobreviveu, fazendo jus ao seu compromisso.
Nada impediu, visto que burladas as regras, de forma tácita, textos expunham toda a realidade vigente, dos viéis da tortura as mortes sem corpos.
A ficção teve seu espaço, vivendo personagens que compõe o universo ilusório dos grandes romances, a trupe infantil não foi esquecida e teve seus momentos mágicos em obras imortalizadas, que atingiram outros meios de comunicação com a mesma eficiência. A televisão e o cinema, transformando roteiros, traziam choros, lágrimas de emoção, soltando a imaginação dos telespectadores. 
Biografias tinham por finalidade, mostrar personalidades, personagens de nossa história sem máscara.
Didáticos, traziam o conhecimento aqueles que tinham sede e fome de aprendizagem.
Esta pequena viagem ao mundo fantástico da literatura, é simplesmente para exemplificar para as gerações posteriores à minha, o meu amor pelas palavras e o quanto foram  preponderantes em minha formação: acadêmica, literária e de cidadão.
Este universo visitado, proporcionou-me voltar a minha infância, fez-me recordar da sala sem ar, da distância que levava para chegar ao colégio, da simplicidade do ambiente, mas também levou-me ao principal objetivo daqueles instantes iniciais de leitura, sempre acompanhados por professores brilhantes, humildes e apenas interessados no único propósito que os estimulavam:
“O pleno exercício de explicar e ver o aluno aprendendo”.
O conhecimento sendo ministrado de forma clara, sem subterfúgios, sem auxílio que não fosse o cérebro, a vontade de aprender as coisas, o desejo de ser imaginar vivendo as próprias histórias lidas, ainda que gaguejantes.
A felicidade de falar aos meus pais, o que havia aprendido naquele dia, a descoberta do desconhecido e a ansiedade do esperar pelo amanhã.
Enfim, as primeiras letras, as primeiras frases escritas por mim. Tenho orgulho de dizer que meu primeiro livro lido a exaustão, Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo, foi a porta aberta em minha alma e estimulou-me chegar até aqui. Não sei se me faço entender, mas deixo bem claro minha posição diante deste quadro.
“Os tempos são outros, as novidades estão acontecendo à todo momento, a agilidade de informação parece um foguete desgovernado, que não dá tempo nem de você pensar, pois já desatualizou o que acabei de falar.
Assim é nossa vida, nosso tempo atual.
 Mas confesso humildemente que ainda sou adepto de um bom livro na cabeceira de cama, de folheá-lo com suavidade, sentir suas folhas entre meus dedos e devorá-lo quando me agrada.
Olhar uma bela estante e me perder em suas prateleiras em puro trabalho de pesquisa ou lazer.
Visitar feiras literárias, dividir sensações indescritíveis,
autores, obras e leitores em perfeita comunhão.
Adentrar uma biblioteca e ver quantos seres mágicos partilham do mesmo sonho que o meu.
Enfim, assim sou eu...Poeta
apaixonado pelos livros, pelas palavras.
Perdoe-me, os que amam a evolução.
Como Darwin, isto é uma sequência natural das coisas,
 da vida.
Eu também gosto de aprender coisas novas e usar a criatividade tecnológica, mas a saudade toma-me de assalto e fala mais alto no meu peito.
Assim sigo meu destino, como menino, envolto em pensamentos soltos, por ora calma, por ora revoltos,  neste universo mágico que vivemos a cada livro que abrimos para ler.
Preciso se faz conciliar, necessário equilibrar esta equação tradicional e concomitantemente evolutiva de forma que todos , sem exceções, saiam ganhando.
Principalmente os leitores, alvo maior deste espetáculo, chamado Literatura.

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