A LITERATURA COMO ARTE QUE É...
EU COMO POETA QUE SOU...
A
literatura, como eu conheci, está passando por transformações ao longo dos séculos,
principalmente nos tempos atuais, onde a Internet, por meio das redes sociais, exercem
um papel fundamental na disseminação da cultura em tempo recorde, provocando
assim intervenções de toda ordem.
Menos
lúdica, menos educativa, mais comercial. Nada contra, pelo contrário.
Este
acontecimento faz até com que muitos autores consigam viver das vendas das suas
obras, tamanha velocidade com que chegam aos leitores.
É
o reconhecimento, por meio da mídia, da excelência literária.
Coisa rara num passado não muito distante,
onde todas as dificuldades eram superadas com a determinação de muitos
escritores em lançar suas obras, desfazendo-se inclusive de bens pessoais para
expô-la no mercado.
Na
contramão, em muitos casos o “incentivo (R$)” pode deturpar a essência natural
e ofuscar os grandes autores e as grandes obras. Privilegiar sem importar-se
com qualidade, macula o objetivo real de qualquer patrocínio: produzir obras
que tragam resultado financeiro positivo, óbvio, mas também agregar valores que
enriqueçam a cultura do país como um todo, faz parte do contexto.
A
ação discriminatória de grupos, que investem somente em figuras carimbadas, e
não oferecem oportunidades a pessoas desconhecidas, desconfiando dos seus
talentos, fazem com que, desta forma, antes de nascer, morram obras que
poderiam transformar-se em grandes sucessos. Não só para os leitores, mas
sobretudo para os patrocinadores.
Necessário
se faz equilibrar este processo, acreditando que num país como o nosso, imenso
em sua dimensão continental, possui em
suas entranhas a cultura enraizada, a veia poética e artística em qualquer
parte de suas fronteiras.
Não
se pode permitir que talentos escondidos, não possam ser descobertos. É de
vital importância o desenvolvimento da cultura, em todas as suas formas de
expressão, fomentadas em todas as camadas sociais.
Grandes
escritores, ao seu modo, contaram a grandeza deste país-continente.
Revelaram
em traços e linhas, toda uma geografia inexplorada em sua totalidade.
Decantaram
em prosa e verso seu amor por esta terra.
Mostraram-se
por inteiro, na concepção verdadeira, vivenciando muitas de suas obras na
própria carne.
O
rural, tão bem desenvolvido através do homem do campo e sua luta contra seu
maior inimigo: o próprio homem, sem se esquecer do eterno embate com
a
implacável natureza.
O
urbano, mostrando todo desenvolvimento das cidades, seu problemas, seus
conflitos.
A
história do descobrimento, as cartas náuticas, as viagens marítimas, a primeira
impressão de quem não conhecia estas paisagens, a religião em conflito com o
poder, a colonização, as entradas e bandeiras em pleno exercício de
desbravamento, a servidão e escravidão dos povos oprimidos que construíram este
país, as mortes e a pouca sorte que deles apoderaram-se.
As
obras nas igrejas, fortalezas imponentes, esculturas talhadas com inspiração,
pinturas que identificaram movimentos, até monumentos naturais reverenciados,
todos sem exceção tiveram sua participação exaltada através da literatura, dos
livros.
A
ciência, inovação, tradição e tecnologia andando de braços dados. Música,
festivais, letras e melodia entrelaçados, na luta contra a ditadura. Belas
canções que fazem parte do cancioneiro popular, erudito, clássico.
As
revoluções que ganharam vulto e corpo ao longo das décadas, mostrando a força
deste povo, sufocado em sua própria voz por quem os queriam calados.
Os
interesses individuais acima dos públicos, a ganância desenfreada que vitimou
vidas, que corrompeu pessoas, que desviou verbas destinadas à população, tudo
foi contado de forma que tivéssemos informações precisas dos fatos do momento.
Ainda que por um longo período, a escrita teve a censura no calcanhar,
tentando-a calar à qualquer custo e preço. À tudo isso sobreviveu, fazendo jus
ao seu compromisso.
Nada
impediu, visto que burladas as regras, de forma tácita, textos expunham toda a
realidade vigente, dos viéis da tortura as mortes sem corpos.
A
ficção teve seu espaço, vivendo personagens que compõe o universo ilusório dos
grandes romances, a trupe infantil não foi esquecida e teve seus momentos
mágicos em obras imortalizadas, que atingiram outros meios de comunicação com a
mesma eficiência. A televisão e o cinema, transformando roteiros, traziam
choros, lágrimas de emoção, soltando a imaginação dos telespectadores.
Biografias
tinham por finalidade, mostrar personalidades, personagens de nossa história
sem máscara.
Didáticos,
traziam o conhecimento aqueles que tinham sede e fome de aprendizagem.
Esta
pequena viagem ao mundo fantástico da literatura, é simplesmente para
exemplificar para as gerações posteriores à minha, o meu amor pelas palavras e
o quanto foram preponderantes em minha
formação: acadêmica, literária e de cidadão.
Este
universo visitado, proporcionou-me voltar a minha infância, fez-me recordar da
sala sem ar, da distância que levava para chegar ao colégio, da simplicidade do
ambiente, mas também levou-me ao principal objetivo daqueles instantes iniciais
de leitura, sempre acompanhados por professores brilhantes, humildes e apenas
interessados no único propósito que os estimulavam:
“O
pleno exercício de explicar e ver o aluno aprendendo”.
O
conhecimento sendo ministrado de forma clara, sem subterfúgios, sem auxílio que
não fosse o cérebro, a vontade de aprender as coisas, o desejo de ser imaginar
vivendo as próprias histórias lidas, ainda que gaguejantes.
A
felicidade de falar aos meus pais, o que havia aprendido naquele dia, a
descoberta do desconhecido e a ansiedade do esperar pelo amanhã.
Enfim,
as primeiras letras, as primeiras frases escritas por mim. Tenho orgulho de
dizer que meu primeiro livro lido a exaustão, Olhai os Lírios do Campo, de Érico
Veríssimo, foi a porta aberta em minha alma e estimulou-me chegar até aqui. Não sei se me
faço entender, mas deixo bem claro minha posição diante deste quadro.
“Os
tempos são outros, as novidades estão acontecendo à todo momento, a agilidade
de informação parece um foguete desgovernado, que não dá tempo nem de você
pensar, pois já desatualizou o que acabei de falar.
Assim
é nossa vida, nosso tempo atual.
Mas
confesso humildemente que ainda sou adepto de um bom livro na cabeceira de cama,
de folheá-lo com suavidade, sentir suas folhas entre meus dedos e devorá-lo quando
me agrada.
Olhar
uma bela estante e me perder em suas prateleiras em puro trabalho de pesquisa
ou lazer.
Visitar
feiras literárias, dividir sensações indescritíveis,
autores,
obras e leitores em perfeita comunhão.
Adentrar
uma biblioteca e ver quantos seres mágicos partilham do mesmo sonho que o meu.
Enfim,
assim sou eu...Poeta
apaixonado
pelos livros, pelas palavras.
Perdoe-me,
os que amam a evolução.
Como
Darwin, isto é uma sequência natural das coisas,
da vida.
Eu
também gosto de aprender coisas novas e usar a criatividade tecnológica, mas a
saudade toma-me de assalto e fala mais alto no meu peito.
Assim
sigo meu destino, como menino, envolto em pensamentos soltos, por ora calma,
por ora revoltos, neste universo mágico
que vivemos a cada livro que abrimos para ler.
Preciso
se faz conciliar, necessário equilibrar esta equação tradicional e
concomitantemente evolutiva de forma que todos , sem exceções, saiam ganhando.
Principalmente
os leitores, alvo maior deste espetáculo, chamado Literatura.
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