Somos água e sede,
saciadas no desejo fremente de volúpias
desmedidas.
Essências que se misturam e
transformam-se em um único ser,
ao mesmo tempo presas e livres num só
pulsar.
Somos o que comumente chamamos de
química perfeita,
elementos distintos e semelhantes entre
si,
que se completam em singular comunhão.
Somos alimento e fome,
necessidades básicas para manutenção da
vida,
que se entregam na voracidade física de
corpos sedentos.
Somos matéria e espaço
dividindo emoções e sensações antes
nunca vividas.
Somos terra e chuva,
seiva viva que percorre as entranhas das
almas,
florescendo nos canteiros dos
sentimentos humanos.
Somos fogo e paixão,
ardência que incendeia sem queimar,
que aquece como chama nas noites frias
de inverno.
Somos bocas e beijos,
lábios que se amam sem se morderem,
pernas e mãos que se entrelaçam,
braços e mãos que se abraçam
num entregar-se frenético ao mais puro
ardor.
Somos o imponderável, o inimaginável.
Polos que não se atraem,
mas que se grudam facilmente
e descolam com rapidez avassaladora,
que envolvem e envolvidos são
pelas circunstâncias de forma
devastadora.
Somos contrastes naturais nas relações
humanas.
Força e fraqueza na mesma proporção.
Almas que se conhecem na eternidade dos
sentimentos
e vivem quantas vidas forem precisos
viver
para cultuar a própria existência.
Somos mares e rios,
afluentes que se unem,
consumindo-se em suas próprias águas.
Somos espelho e reflexo,
imagens que se fundem entre si
num profundo mergulho de êxtase,
nesse universo mágico
chamado de
Vida.
Pessoa,
Florbela e eu; juntos num único sonhar: viver
intensamente a poesia.
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