Dizem
que é bobagem escrever poesias,
que
não possui valor como arte, que na verdade,
nem
arte é.
Dizem
que poesia boa existiu no século XIX,
no XVIII
não era nascida,
no XX
esquecida,
deixou-se
enterrar num passado distante.
Os
poetas encontram-se consigo mesmo de uma forma que poucos podem sentir,
muitas
vezes...
o
poeta é um fingidor
finge
tão completamente,
que
chega a fingir que é dor
a
dor que deveras sente.
(Fernando Pessoa)
Dizem
que a poesia é morta, sem vida.
Não
possui alma como um conto, não fala por si só como uma gravura, não revela suas
curvas como uma escultura, não encanta como uma bela canção, como um bom livro
não prende a atenção...
Resiste,
porém, heroicamente, face a insistência de poucos que acreditam na sua força,
na sua veia, no seu doce deleite.
Às
vezes,
contemplo
o lago mudo
que
uma brisa estremece,
não
sei se penso em tudo
ou
se de tudo me esquece.
(Fernando
Pessoa)
Dizem
que poetas são alienados, céticos, descrentes
que
não raciocinam muito bem,
que enxergam
um mundo ilusório que não mais existe,
que
vivem à parte da sociedade tentando descrever algo que não pode ser descrito.
E os
que leem o que escreve
na
dor lida sentem bem,
não
as duas que ele teve
mas
só as que eles não têm.
(Fernando
Pessoa)
Dizem
que as palavras perdem-se no ar como folhas ao vento.
Que
dizer desses versos, que revelam sentimentos ocultos,
vestígios,
que ainda sepultos, sobrevivem dentro da alma?
Na sua eterna
mansidão,
O lago nada me
diz
Não sinto a
brisa mexê-lo,
Não sei se sou
feliz
Nem se desejo
sê-lo.
(Pessoa)
Quero apenas
viver.
“Não conto gozar
a minha vida, nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para
isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torná-la
de toda a humanidade, ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Quero pra mim o
espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou.
Viver não é
necessário; o que é necessário é criar.
(Fernando Pessoa)
Um sonho feito em
palavras, por entre veredas na noite calada um clamor ecoa pelos quatros
cantos...
como encanto...
quem te ouve, quem te
vê, seduzido fica pelo prazer de sentir-se enfeitiçado.
Rendemo-nos a sua
magia, séculos e séculos de poesias revivem um tempo nostálgico,
nos levam de volta a
um doce passado onde saraus nos casarões antigos, serviam de fontes à amantes e
amigos da mais pura arte de se saber viver.
Entre vozes e velas,
na penumbra da noite versos em acordes cintilam como açoites.
Ressurge na mente a
chama ardente, sob as bênçãos sublimes dos poetas errantes.
Grilhões se partem,
amarras se desprendem.
A arte ganha vida
através do balé poético de versos declamados, não mais censurados,
e livres, contam sua
história por meio de suas lembranças, memórias, vivas...
Vivo. Caso morras
hoje, feliz morreria como poeta que pensa e diz:
Liberdade ainda que
tardia. Não há mais quem por mim chores.
Livre sou... Livre
vou... Livre voo...
Na tênue linha que divide os espaços,
meus passos
deixo ficar
como sombras, marcas, rastros de um caminhar.
A estrada do tempo segue seu roteiro,
a distância dos mundos nos faz passageiros de uma
viagem sem fim,
enfim,
a realidade se faz presente por meio da arte que
pulsa latente nos corações que
sonham o que
os sonhos não sentem...
(Carlos Passarelli)
Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo
altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está
querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de
outro.
(Clarice
Lispector)
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