sexta-feira, 2 de março de 2018



“Penso Que Escrever Poesia”

Penso que escrever poesia       
É mergulhar em uma doce ilusão.
É deixar viva toda magia
Andar no fio da inspiração.
Morrer mil vezes pensando que vive
Peregrinar sem qualquer direção.
Estar preso sentindo-se livre
Livre sentir-se sua própria prisão.

Penso que escrever poesia    
É conviver de perto com a solidão.
É viver um sonho, utopia
´Caminhar sozinho na multidão.
Desejar sem nunca ter sido
Querer amar sem poder conseguir.
Pensar ir quando já terá ido
Compreender sem poder distinguir.

Penso que escrever poesia
É dar voz a minha alma e ao meu coração.
É transformar como se fosse alquimia
Em contrapartida à minha razão. 
Viver sempre incompreendido
Dividir-se em diversos caminhos.  
Se perder mesmo estando perdido
Procurar por saídas, encontrar-se sozinho. 




“Companhia”

O silêncio da madrugada é minha companhia.
Faz-se à cada noite um ser mais presente.
Ouve meus lamentos numa triste agonia.
Torna-se sem saber meu maior confidente.

Não ouço sons que perturbam meu escrever.
Sobre o papel vazio deslizo minhas mãos.
Anseio expressar algo que não sei dizer.
Quem, sabe, talvez, revelar uma eterna solidão.

Olho as ruas desertas e nelas me reconheço.
Através da vidraça vejo meu próprio olhar.
Sentimentos estranhos que em mim desconheço.
Enclausuram meu ser e insistem em ficar.

Sou prisioneiro de algo maior do que eu.
Que rasga e invade sem dó nem piedade.
O dia amanhece, a noite adormeceu.
Somente eu, acordado, vivendo essa triste realidade.



“Cumplicidade”



Tu gostas do sol e eu da lua
Tu sentes prazer em andar na rua
E eu viajar sem sair do lugar.
Tu gostas de praia e eu do campo
Tu sentas na sombra, eu em qualquer canto
Tu amas na cama e eu no sofá.

Tu gostas do chique e eu do comum
Sentimos na pele que somos só um
Independente das nossas vontades.
Tu te entregas sem peso e eu sem medida
Tu dizes meu mundo, eu te digo minha vida
       E assim se faz nossa cumplicidade.