Como uma manhã de janeiro de 2008
transformou-se em uma longa, fria e angustiante noite durante quase 40 dias?
Sem luar, brilho somente das luzes artificiais
do hospital.
No silêncio ensurdecedor dos corredores,
passos e vozes confundiam-se durante as horas que teimavam em não passar.
O quarto mais parecia uma cela sem
grade, aprisionando os sentimentos mais profundos.
A cada abrir e fechar de portas, um
sobressalto, experimentando sensações jamais antes vividas.
Mas... a vida nos reserva
surpresas...e...
40 dias que pareciam intermináveis de
sofrimento, trans- formaram-se de repente em forma de sorriso e olhar.
O olhar terno e carinhoso da nossa filha
e o teu inconfundível sorriso.
Ei-la,
entre nós. Feliz!
Sorriso largo, sem o dissabor amargo da incerteza, que na
tristeza fez-se companhia.
Nas
noites, dias de angústia. Aflição!
Ei-la,
entre nós. Feliz!
Olhar radiante, sem o vazio constante da tristeza, que na
incerteza fez-se companhia.
Nas
noites, dias de agonia. Solidão!
A esperança nos manteve firmes qual
rocha, chama acesa sempre que aquecia nossos corações.
Na oração encontramos refúgio, abrigo,
alento e a seu contento, Meu Deus, segundo desejo e vontade sua, devolveu-nos
a alegria.
Tudo parecia perdido quando a vimos
deitada no leito, cheia de aparelhos tentando mantê-la viva, que parecia ao
mesmo tempo ironia se a vida dependia de ti, senhor!
Recursos foram empregados neste sentido,
mas o que nos colocou de pé foi a sua força.
Confortou-nos o tempo todo, enxugou
nossas lágrimas, fez-nos pacientes, embora a paciente fosse ela, flor mais bela do nosso jardim. E nas noites mais
terríveis de solidão, onde a escuridão nos consumia, entendendo a frágil alma
humana, nos trazia a calma, a serenidade, o equilíbrio.
O dia estava tão bonito. Era também uma
manhã.
Os raios do sol penetravam pela vidraça
do quarto, aquecendo o ambiente e anunciando que o pesadelo havia passado e que
reinava agora somente paz.
Vós que dissestes “eu vos deixo a paz,
eu vos dou a minha paz”, trouxeste a paz nos momentos mais difíceis deste
percurso, mudou com sua obra todo o curso dessa história, estando sempre
conosco nesta caminhada árdua e vencedora em ti.
Após a saída do hospital, realizamos uma
confraternização para celebrar a vida, agradecer à Deus e à Nossa Senhora,
aos médicos do hospital, e dividir com todos os amigos esta alegria renovada
por todas as orações, pedidos, intercessões.
Que a paz que sentimos fosse repartida igualmente
entre os presentes, e os que não puderam vir neste encontro, que ela os
encontre nos lares para revelar que por terra, céus e mares uma força superior
existe, quando nela se crê. Hoje, quando olhamos para ela, bela, vida em plena
abundância, percebemos que a distância de tal fato dá-nos a plena convicção de
que não podemos deixar de acreditar, nos desesperar e que através da oração sentiremos a presença forte de Deus em
nossas vidas.
Ainda que tudo pareça impossível, as coisas
não aconteçam como muitas vezes esperamos acontecer, ainda assim, a certeza de que a fé nos mantém no
caminho e de que mesmo havendo noites traiçoeiras o sol nasce para reforçar que
nada é perdido entre as sombras da noite.
Os temores surgidos na madrugada perdem
a força ao avistarem os primeiros raios do sol.
E uma nova chance de vivermos renova-se
a cada manhã.
“na
fé em Cristo e em Nossa Senhora, encontramos a força necessária e o refúgio
seguro para superarmos juntos o medo.”




















